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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Rio sem margens


o vento empurrou-te para mim
numa réstia de sol matinal
que descobriu mais pombas que pardais
coladas ao teu corpo
de pássaros da chuva miudinha

afoguei-te na orgia
de bulícios de luzes solarengas engoliste
golfadas de murmúrios
de gestos apressados abandonada
no turbilhão de claridades inquietas

despenteei-te com voos rasos de ventos
desenroupados de sombras
abracei-te na passadeira vermelha
com a grandeza de um rio sem margens

guardei-te na memória futura
para que de mim estejam perto impressas
as pombas
os pássaros
e a chuva miudinha
fixadas no cobre do teu corpo de vénus


2 comentários:

Parapeito disse...

Tão belo este Rio.
Caudal cheio de belas promessas...rumo a uma foz,onde as pombas e os pássaros são memória.
Abraço e longa vida para o Rio sem margens.

rosa-branca disse...

Amei este rio sem margens e naveguei... Um abraço com carinho