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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O olho da lupa



Acreditamos que há sempre,
algures,
uma cândida lupa que nos espia,
apesar de nos esquecermos de tal sentinela
(de contrário,
sentimos um frio na espinha que nos impõe
uma pose mais favorável).
Acreditamos, até,
que há uma sapiência omnipresente
no labirinto onde todos
nos podemos perder,
ao ponto de pensarmos
que os obstáculos são provações
deliberadas pelo olho da lupa.
E nós, vindos do pó
e que ao pó havemos de voltar,
fazemos de conta
que não somos apenas passarinhos reclusos
que gostam de cantar
engaiolados no espaço de penas
e no tempo carcereiro.
Fingimo-nos eternos,
enganamo-nos vivos,
e até inventámos
que o inverso não pode ser verdadeiro.


Jaime Portela


45 comentários:

Karocha disse...

Pois !!! Jaime

Bfs

Bjocas

Daniela Silva disse...

Achei que só eu tinha essa sensação eheh beijinho

Com muito carinho,
Diamonds In The Sky, Daniela Silva
Também estou no facebookFanpage do blog, põe um gosto! e no instagramInstagram

Célia Rangel disse...

Uma reflexão em que a realidade se fixa no hoje - presente em todos nós - que nos encantamos com a vida, o amor e a liberdade... Belo poema!
Abraço.

Diana Fonseca disse...

Que esse ser nos guie e ajude sempre.

Brisa disse...

Jaime
Tens toda a razão...É a realidade...
Sabes construir,na perfeição cada frase,cada palavra.

Bjo e desejo-te um bom final de semana

Cidália Ferreira disse...

Poema maravilhoso! Amei

Beijinhos

Andreia Morais disse...

Iludimo-nos, muitas vezes!
Poema fantástico, como sempre.

r: Sim, isso é verdade, depende do contexto
Obrigada e igualmente*

JANE GATTI disse...

Que profundo, Jaime! Li, reli, gostei muito das imagens que você construiu. A crueza da realidade que você expôs se abranda no mar de metáforas e figuras que constituem o seu poema.Obrigada pela partilha. Abraços.

Zilani Célia disse...

OI JAIME!
ESQUECEMOS DE NOSSA FINITUDE PARA MENTIRMO-NOS ETERNOS.
BELO POETAR AMIGO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Pedro Coimbra disse...

O medo da morte é natural, faz parte do ADN.
Aquele abraço, bfds

Maré Viva disse...

"Fingimo-nos eternos,
enganamo-nos vivos,
e até inventámos
que o inverso não pode ser verdadeiro."

Assim somos nós, eternos fingidores...e ainda há quem pense que apenas o poeta o é!

Sobre a foto daquele post, espero bem que a dona da imagem não tenha levado a mal...tanto mais que até me esqueci de frisar que a tinha obtido na net.
Obrigada pela visita, deixo um abraço, com votos de um fim de semana divertido.

Graça Pires disse...

A realidade nunca é o que parece. Ou é melhor, ou é pior...
Um bom fim de semana, Jaime.
Beijos.

Cristina Cebola disse...

Um poema imenso!! Um texto por demais reflexivo sobre determinadas crenças que nos são incutidas pela cultura...
E assim, continuamos a cumprir a vida como seres imortais...

Abraço e bom fim de semana

Marta Vinhais disse...

A vontade sermos imortais... Somos muito frágeis na verdade...
Interessante...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Daniel Costa disse...

Jaime Portela
Com este poema, acordamos para as realidades da vida. Na verdade, se bem vistas as coisas, somos nada e a nossa validade existe enquanto servimos como elo de uma roda que pode partir.
Abraço

Teresa Isabel Silva disse...

Fico feliz de não ser a única a ter esa sensação!

Bjxxx
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Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Palavras sábias Jaime!
Fingir que somos eternos,engando-nos a nós mesmos.
Poema bem profundo.
Bjs e obrigada pela visita.
Carmen Lúcia.

Manuel Veiga disse...

ate inventamos (enquanto Humanidade) a poesia para nos fingirmos de eternos.

sábias palavras. as tuas

forte abraço, amigo Jaime

Acordar Sonhando . SOL da Esteva disse...

Não somos mais importantes
Que o olho que nos quer ver.
Espiam, agonizantes,
Até, um dia, morrer.



Abraço
SOL

lua singular disse...

Oi Jaime,
Eu gostaria de ser eterna com meus trinta anos. Agora dói tudo.
Ainda bem que aproveitei a vida e me consolo lendo lindas poesias, principalmente esta que foi a única que consegui entender.
Mama mia, escreve com palavras difíceis.
Beijos
Lua Singular

© Piedade Araújo Sol disse...

pois, nem tudo o que parece é ...
Bom fim-de-semana.
Beijo
:)

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Boa noite, Jaime
e seu poema podemos nos sentir cúmplices de seus pensamentos , pois quem já não agiu de acordo com suas palavras?
É mais cômodo pensar que o inverso não pode ser verdadeiro....
Com certeza, a sentinela mora em nossa consciência.
Abraços!

Agostinho Barros disse...

Magnificoooo !!

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Mirtes Stolze. disse...

Boa noite Jaime.
Um poema bem profundo. Confesso que acredito na eternidade da alma. Meu corpo virara pó,mas meu espírito creio ser eterno. Na casa no meu Pai havárias moradas. É se isso é uma ilusão, quero viver iludida para sempre rsrs. Um lindo poema meu amigo. Um feliz fds. Abraços.

Vera Lúcia disse...

Um grande poema, Jaime!
Até me lembrei que você se diz agnóstico.
Por conveniência, podemos até tentar nos enganar diante de verdades irrefutáveis.
Abraço.

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Fico maravilhado!
Parabéns!
Um bom carnaval.
Abraço

Odete Ferreira disse...

Sorri ao iniciar a leitura do poema; lembrei-me daquela frase "sorria, está a ser filmado". Há olhos em todo o lado, a começar pelos nossos. Somos atores, peça e palco, conforme as circunstâncias. Mas, se não tivéssemos a ilusão da eternidade (como criança que acredita no pai natal, apesar de saber a verdade) por que (ou como) viveríamos?
Excelente poema!
BJ, Jaime 😊

A Casa Madeira disse...

Belo.
E que bom que a gente pode inventar k.
Abraços.

Fernanda Maria disse...

Meu amigo, acho que viver é isto, iludir-mo-nos para sobrevivermos.

Os seus poema vão sempre mais além, fazem-nos reflectir,gosto disso :)

Um beijinho e bom fim de semana

Suzete Brainer disse...

Um excelente poema com uma profundidade reflexiva, amigo Jaime.
Com a poesia inventamos o voo das palavras!...

Bom fim de semana e bom feriado!
Beijo.

Helena disse...

"E nós, vindos do pó
e que ao pó havemos de voltar..."

Uma verdade que por vezes camuflamos no intuito de "fugir" de uma triste realidade que, queiramos ou não, vai nos alcançar.

Como sempre, belo, profundo e altamente reflexivo este teu poetar.

Dias enfeitados de sorrisos e estrelas num beijo carinhoso.
Leninha

Teresa Almeida disse...

Mostras sempre - claramente - o caminho
e é uma delícia percorrê-lo.

Beijinho, Jaime.

luar perdido disse...

Somos todos uns fingidores: esquecendo-nos que do "pó viemos ao pó retornaremos" quando os nossos passos, nesta gaiola de penas em que cantamos as alegrias e dores de uma vida, se embrulharem nas sombras do além.
Haverá um "olho de lupa" que nos vigia - acredito que seja por bem.... Mas eu sou uma eterna sonhadora...
Reflexivo e tocante - muito teu, meu querido amigo Jaime.
Beijo de luar

Cláudia Forte disse...

boa tarde, meu adorável poeta!!! é preciso saber olhar, para enxergar e entender toda essa complexidade que nos cerca. beijo enorme com desejo de uma semaninha regada de muitas alegrias!!!

Cláudia Forte disse...

ah, voltando para avisar q tem um pequeno erro de digitação na palavra onipresente. beijos e apaga esse comentário. rsrsrs :)

Aline Goulart disse...

A ilusão, às vezes, nos conforta.
Beijos e um ótimo feriado.

Ailime disse...

Bom dia,
Um poema magnífico, como sempre.
Um beijinho.
Ailime

graça Alves disse...

Muito bom!
Parabéns!
beijinho

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, no nosso viver o inesperado acontece, estamos sempre sujeitos, o poema é profundo e belo.
AG

Majo Dutra disse...

Que poema reflexivo tão interessante, Jaime!
As questões filosóficas e teológicas caiem perfeitamente num poema, quando são acompanhadas de fina e divertida ironia...
Parabéns, ficou excelente!
Gostei muito, Amigo.
Beijo
~~~

Aleatoriamente disse...

Belo...
Cada linha uma bela poesia.

Manuel Veiga disse...

Caro Jaime,

poema de antologia! de enorme sabedoria e talento

gostei muito

forte abraço

Jaime Portela disse...

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Caros amigos, obrigado pelos vossos comentários. Voltem sempre.
Entretanto, acabei de publicar um novo poema. Espero que gostem.
Continuação de boa semana para todos.
Saudações poéticas.

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Ana Freire disse...

Ou se presta contas a Deus... quem seja crente... ou prestamos contas a nós mesmos, no limite... tendo de saber conviver, com a nossa consciência... nunca estamos verdadeiramente sós... pelo que tudo o que fazemos... de alguma forma... e em qualquer plano... será sempre analisado à lupa...
Um poema muitíssimo interessante! Que nos dá imenso, sobre o que reflectir... Brilhante abordagem poética!
Beijinho! Continuação de uma boa semana, Jaime!
Ana

Agostinho disse...

Somos sempre o verso e o inverso
amarrados ao maniqueísmo da conveniência,
oportuna. Mas convém
não esquecer entre o que vai
e o que vem.
No intervalo e no espaço
que medeia os extremos
haverá o nariz da lupa?

Abraço, amigo Jaime.