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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Os rios que nos separam



Ontem,
num germinar ponderado,
percebemos a rigidez das muralhas
que em nós acorrentava a coragem submersa
de espelhos sonolentos,
descoloridos de tão ocultos.
Da lua,
pronto engoli a brancura
de braços abertos
ao mar que em segredo de ti se agitava,
a dissolver na areia
a espuma do rio da incerteza.
Navegante,
aparelhei caravelas para te roubar do Tejo,
madraço no balancear azul
do teu espanto de velas enfunadas
pela brisa da descoberta.
Hoje,
em atracagens suaves,
fundeio em ti o barco da liberdade
e beijo as madrugadas
a bordo das tuas mãos enluvadas de estrelas,
rubras e mutantes da saudade
que enche cacilheiros a aproximar as margens
dos rios que nos separam.



Jaime Portela


42 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Um poema de amor a uma pessoa ou a uma cidade, Jaime?
Ou às duas?
Aquele abraço, Bfds

Karocha disse...

Belíssimo , como sempre Jaime.

Bfs

Bjocas

Rosa Mattos disse...

Que bonito! "..tuas mãos enluvadas de estrelas" \o/

ANNA disse...

Hola amigo te recuerdo mi blog de poesias si deseas volver a visitarlo
Gracias

http://anna-historias.blogspot.com.tr/

sera un placer volver a tener tus comentarios

Besos

Marta Vinhais disse...

E trocam juras de amor.... numa louca descoberta....
Lindo....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Aline Goulart disse...

Tu tens o dom de fazer analogias e versos que encantam.
Gosto desse navegar. Desse simbolismo lindo marcante da natureza com a poesia.
Incrível mesmo.

Beijinhos estalados.

Cidália Ferreira disse...

mais um maravilhoso poema! Amei de verdade.

Beijos

Larissa Pereira dos Santos disse...

Que belo poema de amor, parabéns!
Abraços, ótimo fim de semana!

lua singular disse...

Oi Jaime,
Quanta beleza e sensualidade tem seus escritos.
Adorei
Beijos
no coração
Lua Singular

Arco-Íris de Frida disse...

E quando se encontram, tudo fica para trás, os rios são só um detalhe...

Beijos...

Maré Viva disse...

E as palavras brotam em ti como fruta suculenta...Admiro-te, acredita!
Que o verão continue a ser-te propício, para que não nos falte alimento para a alma.
Abraço.

Daniel Costa disse...

Jaime Portela
O poema é abrangente, assim como uma odisseia. Na verdade, a caracteristica é de parece mesmo de historiar algo épico. Gostei!
Abraço

luar perdido disse...

Sob a branca lua, num cacilheiro carregado de sonhos e momentos que a vida não apagou, nas mãos "enluvadas de estrelas", não haverá, com toda a certeza, nenhum rio que vos separe.
Há sempre uma ponte que liga as duas margens e uma caravela para fazer a travessia.

Belo poema, querida amigo Jaime. Como sempre uma preciosidade das tuas mãos.

Bom fim de semana
beijo de luar

Graça Pires disse...

"fundeio em ti o barco da liberdade
e beijo as madrugadas
a bordo das tuas mãos enluvadas de estrelas"
Tão belo, Jaime!
Um beijo.

Pedro Luso disse...

Caro Jaime, este é um daqueles poemas que o poeta cria visando a sua singularidade, penso. Singular e excelente poema. Parabéns.
Um abraço.
Pedro

Ana Tapadas disse...

Apreciei todos, mas este é mais belo que muitos!
Excelente.
Beijinho

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Ah... esse amor de sonhos e loucuras
Mesclado a naus, ao Rio Tejo e ao mar
É transcendente mais que o verbo amar
E o verbo faz-se em vozes e em figuras.

Ah... esses sonhos, Jaime, onde misturas
Teu Tejo, teu velame e um navegar
Que é mais que universal do teu lugar,
Enxergo as naus com antigas criaturas

Rompendo, a sonhos, o oceano incerto
Por um amor maior que o descoberto,
No sonho de vencer por bem, o mal.

E assim, disse Pessoa, o mar aberto
Fora a se cumprir o que era certo,
O mar imenso ser de Portugal.

Grande abraço. Laerte.

Acordar Sonhando . SOL da Esteva disse...

Teus rios não têm margens
E não podes acostar.
Não olhes essas miragens
Que só podem separar.



Abraço
SOL

Franziska disse...

Pienso que es poderoso elgiro dado al poema en los últimos versos y, como si fuera para tí desconocido, los repito otra vez después de haberlos releído:

ª Hoje,
em atracagens suaves,
fundeio em ti o barco da liberdade
e beijo as madrugadas
a bordo das tuas mãos enluvadas de estrelas,
rubras e mutantes da saudade
que enche cacilheiros a aproximar as margens
dos rios que nos separam.ª

Hermoao poema. Saludos muy atentos y afectuosos. Franziska

Célia Rangel disse...

Ao mar da ternura todo esse amor depositado marca lembrança amada eternizada na união e jamais na separação...
Abraço.

Lucia Silva disse...

Magnífico poema de amor, amei! Beijos no coração.

Tais Luso disse...

Sem a poesia o mundo seria uma pobreza contínua, ela vem para nos colocar quase em estado de graça, de reflexão, de beleza, de prazer em lê-la. De nos alertar. Vocês, poetas, sabem dizer...
Muito bonita, Jaime, um ótimo fim de semana!
Beijo.

Odete Ferreira disse...

É preciso ousar, saltar as muralhas e libertar as amarras para romper as distâncias e termos o sonho (seja ele qual for) nas mãos.
Belíssimo e muito bem urdido, este poema.
Bj, Jaime

Os olhares da Gracinha! disse...

Rios que separam e aproximam no seu leito poético!!!
Bom fim de semana

Anónimo disse...

Deslizei nesse mar de ternura que amei demais. Jaime, bom fim de semana e beijos com carinho

Lrat.

Gracita disse...

Deslizei nas ondas flamejantes de amor deste rio que não tem margem mas borbulha em espasmos de paixão
Beijos

Poemas em dó menor disse...


Vc é poeta, Jaime e dos bons. Belíssimo!

Beijinho.

Nadine Granad disse...

Oi, Jaime!
Lindos versos!
A arte de amar e o mar que nos separa... ao mesmo tempo nos leva, naufragamos...
Li e reli, acredite!

Beijos! =)
Boa semana!

Agostinho disse...

Ontem, vim aqui e li.
Li e vi que o poeta persiste "sem margens". É dá-se bem no paradoxo do rio que separa e une pois canta amor sem fim, "madraço no balancear azul".

Abraço.

FILOSOFANDO NA VIDA Profª Lourdes Duarte disse...

Bom dia amigo!
Minha visita hoje é para divulgar o blog da Biblioteca da escola que trabalho EREM DR Mota Silveira. Biblioteca Madre Ódila Maroja, este cantinho especial nasceu recentemente. É um blog voltado para pesquisas nas mais diferentes áreas de conhecimento, já tem postagens de , Matemática, Química, Biologia, Língua portuguesa, Filosofia, Sociologia, Direitos Humanos e outras áreas de conhecimento. Também faço parte na organização e pesquisas das postagens. O link é este, http://bibliotecamadre.blogspot.com.br/ caso deseje conhecer e seguir, será um grande prazer, pois como seguidor e comentarista dos meus blogs, você só engrandece as postagens. Obrigada, tenha um Domingo de muita paz e um início de semana abençoado.
Desculpe não comentar a sua maravilhosa postagem, logo retornarei. Abraços Lourdes Duarte.

Lune Fragmentos da noite com flores disse...

Depois de tempos dolorosos... volto aos espaços amigos.

Poema de afectos bipartidos entre o mar e o rio... O amor à cidade de Lisboa? Por que não? É uma cidade linda, luminosa!

Mas a última estrofe levanta a dúvida:

'De ternura engalanada no corpo,
semeias os teus olhos multiplicada
no leito sempre aberto do meu peito,
que a chuva dos teus beijos amacia
e onde te deitas ao sol, demorada…'

Quem sabe?

Votos de boas férias!
Abraço

Fá menor disse...

Que todos os barcos rumem a bom porto.

Beijinhos, amigo!

© Piedade Araújo Sol disse...

JP

roubar do Tejo será uma tágide a tua ninfa, e em estrofes carregadas de estrofes bem cerzidas, aqui estamos perante mais um belíssimo trabalho poético.

beijinhos

:)

© Piedade Araújo Sol disse...

JP


roubar do Tejo será uma tágide a tua ninfa, e em estrofes carregadas de metáforas bem cerzidas, aqui estamos perante mais um belíssimo trabalho poético.

beijinhos

:)


PS : deixo aqui novamente o meu comentário, pois o anterior tinha uma gralha, pelo que peço imensa desculpa.

Pedro Luso disse...

Parabéns, caro Jaime pelo seu "Os rios que nos separam", um poema excelente. Um belíssimo poema.
Uma ótima semana.
Grande abraço.
Pedro

Suzete Brainer disse...

Um poema com a tua excelência, inspiração e
uma profundidade filosófica que nos
toca na emoção...

Muito belo, caro Poeta!!

Boa semana, Jaime.
Bj.

Teresa Isabel Silva disse...

Lindas palavras!

Bjxxx
Ontem é só Memória | Facebook | Instagram

Elza Interaminense disse...

Olá amigo, vim agradecer sua visita ao nosso blog da biblioteca. Ficamos felizes e orgulhosa, seja sempre bem vindo! Junto com a prof Lourdes Duarte, criamos este espaço para motivar nossos jovens estudantes a navegar na net buscando bons conhecimentos. Ter pessoas de alto conhecimento como você é um prazer, pois só engrandece o espaço. Obrigada, volte sempre. Seguindo seu maravilhoso blog, sou iniciante na blogsfera, logo voltarei para comentar as postagens. Abraços

Majo Dutra Rosado disse...

Magnífico, Jaime!
Alegorias muito interessantes.
Dias estivais aprazíveis.
Abraço, estimado poeta.
~~~

Arte & Emoções disse...

Hoje,
em atracagens suaves,
fundeio em ti o barco da liberdade
e beijo as madrugadas
a bordo das tuas mãos enluvadas de estrelas,
rubras e mutantes da saudade
que enche cacilheiros a aproximar as margens
dos rios que nos separam.

Belo e um tanto metafórico o teu poema Jaime. Parabéns!

Abraços,

Furtado

Rita Norte disse...

Belíssimo poema! Os rios podem separar, mas não conseguem apagar. As estrelas sempre encurtam a distância de quem mesmo longe nunca deixa de estar perto.
Beijinhos

Profª Lourdes disse...

Amigo , vim agradecer pela visita e por está seguindo o blog que indiquei, da Biblioteca Madre Ódila, da escola que trabalho, EREM DR MOTA SILVEIRA. Agradeço de coração, sua participação. Como é um espaço educativo ter pessoas que valoriza o conhecimento, é importante. Receba um grande abraço de todos que fazem a escola.
Obrigada! Tenha uma noite de paz.