Quando a claridade
surge
do ventre da noite,
és a derradeira musa
a esconder-se no palco.
E ainda a noite
estrebucha,
já gasta e quase
morta,
és a primeira graça
a entrar em cena com
luz.
Nessa metamorfose,
demoro-me na indecisa
crisálida
que troca de vestes
e acaricio desbragadamente
o teu corpo,
num camarim aceso
pela sorte que me
apraz
em ter o ensejo
de te ver assim
intacta.
Mas…
Não me pertences… És
perfeita,
em mim, integralmente.
És íntegra, para além
de mim,
perfeitamente.