Do tempo,
que morre e me despeja neste mar
de um só sentido, sou náufrago
quase sem me descobrir.
Mas vislumbro janelas
a florir para além do horizonte
da gaiola das memórias,
inundadas por esguias certezas
que flutuam na aridez
a abarrotar de chuva evaporada.
Recuso-me a morrer,
preciso de tempo para me descobrir
nas janelas de vida
que me acenam e sorriem do futuro.
Por isso, exijo
que alguém me retire tempo antigo,
varrendo memórias não sentidas,
sem interesse, obsoletas,
e que agora mo devolva por usar.