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quinta-feira, 26 de maio de 2016

A minha imagem real


A minha imagem real
anda do corpo arredia, fugidia.
Não a vejo, não a toco,
escorrega-me dos dedos
qual enguia libertina.
Não a domino, a vadia.
Cata-vento e dançarina,
mostra-se sempre diferente,
muda de cor, de feitio,
de tamanho e de feição
a cada olhar que pressente.
Estou a pensar que a travesti
é obra alheia e não minha.
Por isso,
não presumam como certos
os retratos que vos dou.
Inacabados e toscos, nenhum
deles me revela por inteiro
e nem eu sei o que sou.
 
Jaime Portela

62 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Os poetas são assim. Vivem metamorfoseando os sentimentos, em permanente desassossego.
Um abraço e bom feriado

José Carlos Sant Anna disse...

Importante é não dispersar-se para manter o tônus dessa lírica tão rica. Do outro lado, Sá-Carneiro também leu atento o seu poema.
Abraço forte,

Olinda Melo disse...


Olá, Amigo Jaime

Somos vários e a nossa multiplicidade leva-nos a desempenhar milhentos papéis no palco da vida, mas a nossa essência lá está, sempre, a comandar os nossos passos em atenção aos nossos valores.

Abraço

Olinda

Zilani Célia disse...

OI JAIME!
SOMOS MUITOS EM NÓS MESMOS E MUITAS VEZES NOS PERDEMOS AO NOS BUSCARMOS.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Arco-Íris de Frida disse...

Somos tantos,estamos sempre tentando encontrar a nos mesmos...

Beijos...

Tais Luso disse...

Muito verdadeiro, amigo Jaime! A vida inteira nos buscamos, ansiosos para conhecermos a nossa verdade e chegamos à conclusão que a tarefa jamais se encerrará. Não somos únicos, apenas um, somos diversos, e o bom seria conhecer profundamente qual das nossas imagens está agindo no momento e por que dessa e não de outra maneira.Saberíamos todas as nossas reações.
Gostei do tema, gosto de tratar de coisas complexas.
Beijo, amigo, bom resto de semana.

lua singular disse...

Oi Jaime
Sua poesia se faz difícil para o meu entendimento. Você é um poeta lírico?
Beijos
Lua Singular

Pedro Luso disse...

Pois é, os retratos quase sempre nos traem (ou pensamos que traem), nele nos vemos não como somos (ou que pensamos ser), mas de forma distorcida, que por mais que o olhemos, neles não nos reconhecemos. Não será maldição do relógio do tempo, que se recusa parar?
Gostei do seu poema, amigo Jaime.
Um abraço.

Marta Vinhais disse...

Vagueamos por entre nós; somos complexos... Ficamos desordenados...ilógicos ou a verdade de nós próprios é estarmos sempre a encontrar-nos, desencontrar-nos, organizar e reorganizar...
Brilhante...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Mariazita disse...

Não me canso de referir o "Mestre" quando se fala do fingimento dos poetas...
Mas todos sabemos que o poeta finge apenas quando escreve, embora o fingimento não seja total, dado que a sua poesia sempre deixa transparecer algo do que lhe vai na alma.
Gostei muito deste seu "fingimento", querido amigo Jaime.

Bom Fim-de-semana
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

M. disse...

Belo e interessante poema! Acontece-me o mesmo :)

Cidália Ferreira disse...

Sempre com maravilhosos poemas! Este é um deles! Parabéns

Beijo, bom fim de semana.
http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

heretico disse...

com a verdade te engano, não é meu caro Jaime?
pois é - "somos ponte/entre nós/ e o Outro..." (já dizia o outro rss)

abraço, poeta

Acordar Sonhando . SOL da Esteva disse...

Verdadeiramente, Jaime, ou somos quem (e o que) somos ou tornamo-nos camaleões da vida.A Poesia trancede-nos...


Abraço
SOL

Minhas Pinturas disse...

Amigo Jaime somos todos camaleões, sempre buscando o que fazer e como ser e de repente nos achamos e tão logo nos perdemos, é uma luta constante entre nós e nós mesmos. "Ser ou não ser, eis a questão."
Mas sendo ou não, sei que és um maravilhoso poeta.
Beijinhos, Léah

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Olá Jaime,diante dessa magnitude de palavras,sentimo-nos ínfimos a sua cultura e versatilidade em descrever cada verso que a nós compartilha.
Muito lirismo em seu lindo poetar.
Obrigada pela visita e um ótimo final de semana.
Carmen Lúcia.

© Piedade Araújo Sol disse...

JP

bem rimado, melodioso até dava uma belíssima canção.
um pouco diferente do que tenho lido de tua autoria, mas confesso que é um excelente trabalho que dá uma definição da dualidade do Poeta e quiçá de todo o seu humano.
um bom momento de poesia.
bom fim de semana.
beijinho
:)

Teresa Isabel Silva disse...

Adorei o texto, mergulhei nele completamente!

Bjxxx
Ontem é só Memória | Facebook | Instagram

manuela barroso disse...

Mas quem diz que a sombra não será o recanto mais apreciado quando a realidade da força do sol convida a recolher o corpo na penumbra dançarina?
O camaleão metamorfoseia-se para se defender. Mudar de ar e de feição é capacidade só de inteligentes!
Belo, este poema cata-vento, Jaime :)
Beijinho! *

Maria Teresa Valente disse...

Amigo Poeta Jaime Portela, quem somos nós?
Meros mortais que nada sabemos, o que fazemos ou quem somos!
Estamos sempre à procura de nós...
Mas tu tens o talento das palavras, que rimam e se cruzam, nos
deleitando a saborear as belezas dos teus versos!
Excelente final de semana, abraços carinhosos
Maria Teresa

Emília Pinto disse...

O ser humano é complexo e nem sempre consegue mostrar a sua real identidade; a cada instante que passa somos diferentes e perante os diversos desafios de cada momento, agimos de maneira diferente, muitas vezes não entendendo as nossas próprias decisões e atitudes. Quantas vezes nos interrogamos sobre o motivo que nos levou a agir desta ou daquela maneira; temos a sensação de que não fomos nós, de que outra pessoa bem diferente nos substituiu. Nem sempre conseguimos ser coerentes com as nossas ideias, com a nossa etica, com os nossos valores e de repente vemo-nos a ter atitudes nunca por nós pensadas, É... pensamos que nos conhecemos muito bem, que estamos seguros nas nossas crenças, nos nossos objectivos, nas nossas posições perante a vida, mas não é bem assim: a vida modifica-nos e por mais que tentemos ser fiéis à nossa imagem real, ou antes,à imagem que pensamos ser a real, nem sempre conseguimos. Mas tu, como sempre, conseguiste mais um belo poema que me levou a uma divagação, sem a pretensão de querer entender o que te ia na alma quando o compuseste. Isso só tu sabes. Jaime, obrigada pelo belo momento. Um bom fim de semana, Beijinho
Emilia

Célia Rangel disse...

Somos impotentes em arbitrarmos nossa existência. E, em nossos momentos de fraqueza, escondermo-nos para não deixarmos vir à tona nossa realidade. Maneira sutil de nos protegermos.
Abraço.

Luis Coelho disse...

Bonito retrato onde também me retrato
As cores que nos vestem em cada dia.
Momentos nossos e que nos passam sem os podermos travar.
Abraços de amizade.

graça Alves disse...

Metamorfoses do eu!
beijinho

tulipa disse...


OLÁ JAIME

Belíssimas palavras as suas, com as quais concordo em absoluto:
Por isso,
não presumam como certos
os retratos que vos dou.
Inacabados e toscos, nenhum
deles me revela por inteiro
e nem eu sei o que sou.

Magnífico poema, gostei imenso.

Aqui admito que tenho andado afastada dos blogues.
Há períodos nas nossas vidas que nos deixam assim,
nem sei como os apelidar.
Desmotivação, será?

O que é certo é que já nada publicava neste meu blog: ORIENTEvsOcidente" desde Janeiro de 2015 - há 16 meses - muito tempo mesmo.

Só que ontem, meramente por acaso fui procurar uns artigos
e dei conta que era o seu 4º aniversário e pensei:

Não posso deixar passar esta data sem fazer uma referência e decidi fazer um novo post.

Para ver o meu post é neste link:
http://orientevsocidente.blogspot.pt/

Aguardo por si, Amigo!

Beijinho

Bom fim de semana.

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Jaime.
Muito bom, marcando um outro passo - lá está: vários eus aí se guardam, nessa alma de poeta ;)
Aliás, como seres únicos, somos muitos: o meio, o momento, a necessidade, a emoção fazem de nós o que somos - camaleões em permanente transformação. Por outro lado, a experiência e o tempo também moldam-nos: hoje não somos os mesmos que ontem e não nos reconheceremos amanhã - duvida? Eu não. A pedra que é pedra, transforma-se: dêem-lhe tempo ;)

abç amg

Pensamentos Com Asas disse...

Muito verdadeiro... bela poesia.

MEU DOCE AMOR disse...

Olá:

Essa fugidia está a precisar de um puxão nas orelhas.

Todos com retratos toscos e mais para descobrir...

Beijinho doce:)

Walker Moovin disse...

Belas e lindos dizeres de uma profundidade grandiosa, daquela que nos faz refletir em momentos longínquos...
Desejo-te meu grande amigo um belo findar de semana repleto de muita paz...forte abraço

Patrícia Pinna disse...

Bom dia, Jaime.
Excelente definição da não definição do que somos nós, seres mutantes sempre em transição.
Amei teu poema,parabéns!
Obrigada por todo carinho e presença nos seus comentários no "Redescobrindo a Alma".
Paz e luz.
Beijos na alma.

São disse...

Os teus poemas são um caleidoscópio..lindo.

Bom domingo, amigo

Graça Pires disse...

Somos o que somos. Nem sempre o que queremos. Este belo poema fala da complexidade de nos aceitarmos? Ou o poeta é mesmo um fingidor?...
Beijos.

Lia Noronha disse...

Jaime: poemas que mostram aos poucos as tantas facetas dos poetas...o que os tornam mais e mais instigantes.
Um Domingo de muita paz pra ti.abraços mil!

Pedrasnuas disse...

Pode ser que sim...pode ser que não..."O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente" e a que não sente; malabarista, saltimbanco, "cigano", "falsário"...(esconde/esconde)...
Mais uma obra prima que "a tua imagem real" nos dá!

Boa semana JP

Beijo.

Magda Carvalho disse...

Bonitas palavras!
http://retromaggie.blogspot.pt/

Andreia Morais disse...

Sempre fantástico!

r: Muito obrigada :)
Boa semana*

Mirtes Stolze. disse...

Boa tarde Jaime.
Muito verdadeiro as suas indagações meu amigo. Muitas vezes nos buscamos, nós encontramos e voltamos a nós perder. Não somos únicos, a nós sentir assim. Muitas vezes faço meditação buscando as respostas. Mais de uma coisa eu sei você é um grande poeta rsrs. Voltei ao virtual. Uma linda semana. Enorme abraço.

Smareis disse...

Excelente poema!

Andei dando uma pequena pausa que acabou se alongando. Mais a saudade bateu, e de volta estou no meu blog.
Um abraço e ótima semana Jaime!

Toninho disse...

Olá Jaime.
Assim se processa nesta busca incansável e constante.
Bela arte de criar reflexões em poesia.
Meu abraço e boa semana.

Gracita disse...

Os grandes poetas como você amigo Jaime vivem a metamorfose do eu
Belíssima expressão poética meu amigo
Um abraço

saudade disse...

A minha imagem real, também assim é.... e em certos momentos (muitos deles) nem eu sei o que sou....
Lindo como sempre....
Beijo de..
Saudade

ॐ Shirley ॐ disse...

Lindo o seu poema, Jaime, mas, no fundo de nós mesmos, sabemos quem somos...
Grande abraço, querido amigo!

Diana Lestan disse...

Jaime, lindo texto, me encantou profundamente, porque penso assim, como suas linhas, sou muitas em mim mesma, e, quando penso que estou a me desvendar, novamente me encanto com uma nova faceta, com nossos desejos, que nascem e trasbordam desse meu inesgotável e mutável ser.
Gostei imenso, amigo.
Um ótima semana para você, beijo.

Suzete Brainer disse...

Excelente e belíssimo o teu poema, caro Jaime!

Acredito que todas as tuas imagens vestem a Poesia,
ela é essencial em ti, Poeta!...

Beijo.

Ana Freire disse...

Somos princípios e valores, ao sabor das circunstâncias... e quando nos perdemos de nós mesmos... é quando mais nos encontramos...
Somos muito mais do que aparentamos... e de como os outros nos vêem...
somos como nos sentimos...
Um poema belo e profundo... e mais um dos meus preferidos, por aqui, Jaime!...
Beijinho! Continuação de uma boa semana!
Ana

Aninha Ferreira disse...

a nossa imagem real esta sempre a mudar dependendo do dia, do sitio, do que nos rodeia

CÉU disse...

Pois é, nem nós, por vezes, sabemos quem somos. Beijo.

Helena disse...

Meu querido, fizeste-me lembrar de um texto de Augusto Cury:
“Não sei quem sou nem o que sou, pois o que pensava que era não é o que sou. Estou me desintoxicando do que era para ser o que sou. Não compreendo ainda quem sou, mas estou a procura de mim.”
Acredito que estejamos todos a pedir que não nos interpretem pelos versos ou textos (ou até mesmo prosa) que muitas vezes vamos deixando pelo caminho. E isto bem disseste nestes versos:
“não presumam como certos
os retratos que vos dou.
Inacabados e toscos, nenhum
deles me revela por inteiro
e nem eu sei o que sou.”
Somos a nossa maior incógnita, aquela pergunta que não se cala e para a qual a resposta ainda está a ser construída. Acredito que a multiplicidade de nós se torna um incentivo para a não estagnação, pois ao procurar nos entender/compreender/conhecer estamos ativando aquela parte do cérebro que grava a memória e a quer paralisada, engessada num único registro. E o fato de não desejarmos ser apenas aquilo que a nossa lembrança nos mostra - por ser insuficiente ao nosso próprio requisito ou porque a ela queremos acrescer melhores condições de avaliação – se torna a mola propulsora para uma busca interior mais íntegra, coerente e justa.
Um excelente poema, meu amigo, a nos mostrar a versatilidade da tua poesia.
Sorrisos e estrelas, sempre, no teu caminhar.
Com carinho,
Helena

rosa-branca disse...

Amigo Jaime, gostei dessa imagem real arredia do corpo a escorregar p'los dedos, libertina vadia enfim! Endiabrada com um pouco de loucura, no sentir faz travessura. O poeta é mesmo assim. Mais um poema lindo que adorei. Boa semana e beijos com carinho

Fê blue bird disse...

Os seus poemas fazem-me lembrar os de Fernando Pessoa .
As mesmas dúvidas existenciais, o mesmo sentimento e mestria. Parabéns amigo Jaime.

Um beijinho grato

laura santos disse...

Soberbo enredo no sentir do poeta. O meu aplauso. Abraço amigo

laura santos disse...

Soberbo enredo no sentir do poeta. O meu aplauso. Abraço amigo

Fá menor disse...

Lá está: o poeta é um fingidor!
Beijinhos, amigo.

Fá menor disse...

Lá está: o poeta é um fingidor!
Beijinhos, amigo.

M(im) disse...

... por isso vivemos: para perseguir a vã glória do autoconhecimento.
Por isso morremos: cansados e autistas de nós já que é vã a glória. Mas ricos de tanto se nos decidirmos a perseguir cada momento possível dentro de nós e reflectido nos outros.

Ler-te é um desses momentos amigo poeta: um momento possível de puto prazer.

Um beijinho

Diana Fonseca disse...

Há fases assim.

Pedrasnuas disse...

Reli o teu poema... continuo a pensar nas tuas palavras ...e não me vou revelar... (sorrisos)

Continuação de boa semana, JP

Beijo


Jaime Portela disse...

============================================================

Caros amigos
Obrigado pelos vossos comentários. Voltem sempre.
Entretanto, acabei de publicar novo poema. Espero que gostem.
Continuação de boa semana para todos.
Saudações poéticas.

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Aline Goulart disse...

Excelente poesia, Jaime! Eu acredito que todos nós não nos conhecemos perfeitamente, pois cada ser é uma caixinha de surpresa. Contudo, os poetas são aqueles que mais buscam essa difícil tarefa de transcrever os verbos ser e sentir. Beijinhos...

Agostinho disse...

E, quem sou eu?
Eu que me visto e dispo
sem saber por que sou
pelos versos defenestrado

Gostei, Poeta.

Brisa disse...

Olá meu querido amigo... vim atrasada mas não me esqueci de ti...
Só sei que tu és excepcional a dizer o que te vai na alma...

Bjo

Ailime disse...

Boa noite Jaime,
Só sei que nada sei e tantas vezes me pergunto o que faço aqui. Mas uma coisa sinto: o Jaime é um enorme poeta.
Parabéns por mais este excelente momento de poesia.
Beijinhos e bom fim de semana.
Ailime