O olhar cego na visão
impenetrável para além dos muros
que a cercam,
mas a acreditar na baforada de luz,
apesar da noite que espreita.
O pentear de rios nas margens,
agitando remansos na floresta
da fantasia construída
pela sedução do seu corpo, num duelo
de memórias com dedos de paixão.
A torrente de lava,
bola de neve silenciosa,
molhada pela chama
que lhe desvenda os olhos de prazer,
no desejo incontido de fêmea
no auge de um cio embrulhado
num estímulo que a penetra,
que a desatina
até ao orgasmo arrebatado
de palavras com rima.
Ah poesia ilusionista,
nada inventas,
és apenas a ficção da realidade.