No claro prazer da vida,
paralisa-nos, porém, a brisa repleta de sol.
Não é a tensão moderna
da estival gritaria adivinhada
ou o desassossego dos corpos mecânicos,
vazio fosco do éter anil real.
É a inércia percetível
da sugestão da indolência,
penacho tocando brando
o corpo entorpecido, transpirado.
Mas há um desprazer no verão:
apetece a água da praia mesmo a quem,
de tantos veraneantes, a detesta,
por não descobrir areia para a toalha
enquanto o mar se espreguiça à vontade
ao som do paraíso dos búzios.
© Jaime Portela, Junho de 2026