Cala-te,
a tua presença é excessiva
e lamento ser obrigada a ver-te.
Anseio que sejas lembrança apenas
e não enxame de aparências
que me rodeia de mentiras
como se eu fosse uma colmeia.
Deixa-me,
só de imaginar que te posso sentir
há um deserto sem oásis
onde nem camelos há
para que me turvem a água
onde tenho vontade de te afogar.
Vai-te,
encontras sempre razões
onde não há mais que insultos
a iluminar as tuas mãos
habituadas à violência
e ruído vomitado pela tua boca
a insistir na humilhação.
Se tu não vais, vou eu,
fartei-me da vergonha
de verem um lar desfeito.
Adeus,
estou sem coragem de te matar
antes que me tires a vida.
© Jaime Portela, Maio de 2026