O corpo é a casa, a nossa casa,
e a inteligência uma aldeia,
quiçá uma cidade ou até um mundo
para os mais dotados,
onde o acaso impôs
que vivêssemos a nossa existência.
Por isso,
sentir uma grande angústia
como um caso irrelevante,
na vida e no espírito,
é o princípio do saber viver
dentro da nossa casa.
Sentir isso no auge da angústia
é viver superiormente.
Quando sofremos,
achamos que a nossa dor é única
e até infinita.
Mas há milhões de pessoas
com dores ainda piores
e nada há na vida que seja infinito.
O nosso sofrimento não vale mais
do que a dor que deveras temos.
© Jaime Portela, Setembro de 2026