Eu num palácio verde, concentrado
nos barulhinhos atrevidos das bolas,
eu matemático
embrenhado nas probabilidades,
eu vidente
na certeza do futuro dos segundos,
eu magnético
a tentar parar movimentos com a mente,
eu personagem empírico de silêncios,
eu aprendiz de psicólogo,
eu… eu, na verdade, nada disso,
eu somente um desafortunado palerma
homocêntrico e estúpido
a perder tempo e dinheiro na roleta,
de pálpebras impávidas, paralisadas
a pestanejarem angústias.
© Jaime Portela, Outubro de 2026