Por vezes,
converso comigo
nas noites apuradas da fantasia,
em palestras relaxadas de lusco-fuscos
com auditórios hipotéticos.
E questiono-me:
qual a razão dos cientistas
não terem vontade de explorar
matérias inexistentes,
tal como fazem os políticos?
A ética apenas existe
porque é uma invenção dos puritanos?
A realidade encerra-se apenas
naquilo que é orgânico
ou conseguimos ver a alma
numa escultura?
A alma precisa de vida?
Ou é a vida que precisa de alma?
A serenidade,
a inteligência contemplativa,
a discrição, a tranquilidade,
o mistério, a ambiguidade,
a moderação emocional,
poderá ser o retrato
da alma da Mona Lisa?
© Jaime Portela, Agosto de 2026