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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Poesia ilusionista


O olhar cego na visão
impenetrável para além dos muros
que a cercam,
mas a acreditar na baforada de luz,
apesar da noite que espreita.
O pentear de rios nas margens,
agitando remansos na floresta
da fantasia construída
pela sedução do seu corpo, num duelo
de memórias com dedos de paixão.

A torrente de lava,
bola de neve silenciosa,
molhada pela chama
que lhe desvenda os olhos de prazer,
no desejo incontido de fêmea
no auge de um cio embrulhado
num estímulo que a penetra,
que a desatina
até ao orgasmo arrebatado
de palavras com rima.

Ah poesia ilusionista,
nada inventas,
és apenas a ficção da realidade.


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Recuso-me a morrer


Do tempo,
que morre e me despeja neste mar
de um só sentido, sou náufrago
quase sem me descobrir.

Mas vislumbro janelas
a florir para além do horizonte
da gaiola das memórias,
inundadas por esguias certezas
que flutuam na aridez
a abarrotar de chuva evaporada.

Recuso-me a morrer,
preciso de tempo para me descobrir
nas janelas de vida
que me acenam e sorriem do futuro.

Por isso, exijo
que alguém me retire tempo antigo,
varrendo memórias não sentidas,
sem interesse, obsoletas,
e que agora mo devolva por usar.