Quando encalho em nuvens
de pedra
enraizadas na ausência da
vontade,
calo-me, e vejo um
silêncio árido
que se espreguiça no
horizonte da apatia.
É um silêncio acuado à
porta dos sentidos,
um silêncio trespassado por
um vento de cardos
que se agrafa aos ossos
das palavras já mortas
com punhais de tanta negrura.
Mas foi no mar desmedido
deste enfado que te vi,
que gritei à ilha que te
cerca,
rainha verde emergida na bruma
do silêncio
em cabelos de água de
ondas convulsas sem fim.
E o mundo voltou a sorrir
nas estrelas
dos teus lábios e no murmúrio
dos teus olhos,
porque sabemos ler nos
ecos da escuridão
as vozes que compomos
corpo a corpo.