O nosso fado é o declínio,
o sopro dos prantos
que nunca tiveram vício
passa a fustigar os sonhos
e o nosso império vai definhando.
O incolor desramado,
outrora floresta verde,
força-se a ilustrar
o vácuo da deslembrança
com o esquecimento mergulhado
em nascentes desperdiçadas.
As estrelas eram fluentes,
eram águas cristalinas
que irrigavam as retinas,
mas o amor vai adormecendo
em pontos fixos das serranias da vida.
E, finalmente,
pouco ou nada se passa
entre a mosca que pousa no prato
e a brisa que a empregada provoca
quando serve a sobremesa.
© Jaime Portela, Março de 2026