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segunda-feira, 2 de março de 2026

Entre a mosca e a brisa [657]

 


O nosso fado é o declínio,

o sopro dos prantos

que nunca tiveram vício

passa a fustigar os sonhos

e o nosso império vai definhando.

O incolor desramado,

outrora floresta verde,

força-se a ilustrar

o vácuo da deslembrança

com o esquecimento mergulhado

em nascentes desperdiçadas.

As estrelas eram fluentes,

eram águas cristalinas

que irrigavam as retinas,

mas o amor vai adormecendo

em pontos fixos das serranias da vida.

E, finalmente,

pouco ou nada se passa

entre a mosca que pousa no prato

e a brisa que a empregada provoca

quando serve a sobremesa.

 

 

© Jaime Portela, Março de 2026


41 comentários:

Luiz Gomes disse...

Bom dia poeta Jaime. Obrigado pela visita e comentário. Aproveito para desejar, um excelente mês de março. Parabéns por sua poesia. Grande abraço do seu amigo brasileiro.

ematejoca disse...

A sua POESIA carrega o peso de um fado existencialista, pintando um quadro onde a grandiosidade de outrora — o império, a floresta verde, as estrelas fluentes — sucumbe à inércia do quotidiano. É uma transição poderosa: partimos da escala cósmica e histórica para terminar no microscópico tédio de uma mosca num prato. Essa imagem final evoca a "estética do desassossego", onde o sublime é derrotado pela banalidade. Onde antes havia "nascentes", agora resta apenas o vácuo de uma sobremesa servida sem alma.
Uma flor 🌺 e um mês de março transparente e tranquilo.

São disse...

Pois , a vida é assim ... algo que vai passando.

Gostei do poema.

Beijinho, meu amigo, sereno Março.

Jovem Jornalista disse...

Palavras únicas e necessárias. Gostei de ver.

Boa semana!

O JOVEM JORNALISTA está em HIATUS DE VERÃO entre 03 de fevereiro à 09 de março, mas comentaremos nos blogs amigos. Mesmo em Hiatus, o JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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Até mais, Emerson Garcia

chica disse...

Muito lindo e entre a
môsca e a brisa, quanto há para ver ou apenas sentir...abraços, chica

silvia de angelis disse...

Un’intensa visione del declino che intreccia natura e quotidianità, lasciando nell’aria una malinconia sottile e inevitabile.
Buona settimana

Cláudia disse...

Gostei, como é hábito.

Boa semana

Emília Simões disse...

Boa tarde Amigo Jaime,
Um poema magnífico em que o desalento toma conta do Poeta, perante tantos factos, que são a causa da nossa tristeza, do desinteresse que impera, do desamor, por tudo o que vai fazendo esmorecer a vida que outrora foi brilhante e hoje se mostra escura, decadente.
Tenhamos fé em que as estrelas, no firmamento, continuem a sorrir para nós!
Beijinhos e uma boa semana.
Emília

Roselia Bezerra disse...

Amigo Jaime, boa tarde de paz!
O amor e algumas coisas vão passando e temos que ter cuidado para não deixarmos escapar o melhor da nossa vida.
Tenha dias novos abençoados!
Abraços fraternos

Juvenal Nunes disse...

Entre a mosca e a brisa a consciência da nossa finitude.
Boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes

AMALIA disse...

Un poema fantástico. Son muy buenas tus letras.
Feliz semana y excelente mes de Marzo.
Un abrazo.

Janita disse...

O final deste poema quase irreal, fez-me sorrir abertamente.
Oxalá a empregada fosse uma jovem limpinha e asseada, porque com o rodar da saia, poderia trazer um cheiro a bacalhau. o que seria mil vezes pior do que a mosca pousada no prato...:)))

Beijinhos, nadando um águas cristalinas.

Mário Margaride disse...

Olá, amigo Jaime.
A vida tem todas estas vicissitudes. Se deixarmos escapar os bons momentos que ela nos oferece, pouco restará para nos lembramos.
Gostei bastante deste poema.

Abraço forte, e boa semana!

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Lucimar da Silva Moreira disse...

Jaime o envelhecimento das emoções, a perda de sonhos, o esquecimento do passado e a transformação da vida em rotina sem intensidade, desejo uma ótima semana abraços.

Teresa Isabel SIlva disse...

Gostei de ler!
Aproveito também para desejar uma boa semana!

Bjxxx,
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Adriana Helena disse...

Um poema verdadeiro, intenso e de certa forma gentil porque mostra a realidade da vida sem subterfúgio!
Confesso que a melancolia também dominou-me nesta semana amigo...
Grata por mais essa grande obra!!
Tenha um boa semana!! :)))))

Lucia disse...

Olá caro Jaime.
Um bom post meu amigo poeta.
Boa semana.
Beijo!

J.P. Alexander disse...

Profundo poema. Te mando un beso.

Pedro Coimbra disse...

Comungo desse desânimo por estes dias.
Abraço, boa semana

Silent Movie - ©Theda Bara disse...

Currently, there are more blowflies than we can handle.
(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.

TORO SALVAJE disse...

Decadencia, rutina y olvido... qué triste camino.

Saludos.

Jaime Portela disse...

Tradução: Uma visão intensa de decadência que entrelaça natureza e vida cotidiana, deixando uma melancolia sutil e inevitável no ar.
Tenha uma boa semana.

Jaime Portela disse...

Tradução: Atualmente, há mais moscas varejeiras do que podemos lidar.
(ꈍᴗꈍ) Saudações poéticas e cinematográficas.

" R y k @ r d o " disse...

A vida é cada vez mais, viver o dia a dia.
Poema profundo que li e reli com gosto.
.
Saudações cordiais e poéticas
.

Eduardo Medeiros disse...

Teu fado poema é como uma facada no peito de quem está entre a mosca e a brisa mas vê que a mosca cresce a cada dia.

Marta Vinhais disse...

Instala-se a rotina e o medo...e estagna-se...
Brilhante como sempre...
Beijos e abraços
Marta

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde JP
Neste poema, sente-se um desencanto que se constrói em camadas da grandiosidade do “império” em declínio à imagem mínima e quase irónica do quotidiano final.
Há uma tensão belíssima entre o vasto (florestas, estrelas, serranias) e o ínfimo (a mosca, a brisa), como se a vida se contraísse lentamente até caber num gesto doméstico.
O fecho é subtil e mordaz: depois de tanto universo interior, resta quase nada, apenas o intervalo suspenso entre o que pousa e o que dissipa.
Tão certo....
Boa semana com saúde.
:)

Os olhares da Gracinha! disse...

No "nada se passa"... o muito pode acontecer! 👏👏👏😘

Malania Nashki disse...

Bonito post para pensarlo.
Es verdad que siempre se mezclan la naturaleza y los momentos vividos. A veces nos sorprende sin que lo planifiquemos.
Buenas tardes - Noches querido amigo Jaime.
Un gran abrazo.

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Bandys disse...

Olá querido amigo, Jaime,
Entre a rotina e o valor dos sentimentos devemos conservar a gentileza doa amor.
Querido, estava com problemas no blog, agora acho que já esta bom.
Deixo um beijo e o desejo de uma noite feliz.

L e n a disse...

Um belo poema Jaime
sempre bem escrito
Bom fim de semana !

Beijinhos

lis disse...

Saudade de te ler ,Jaime.
Eu aqui precisando muito de uma brisa para desmontar o sol...
Aos poucos vou me adaptando de novo aos costumes de blogar e blogar rsrs e claro sentir os amigos , mesmo assim de longe.
Um abraço ,com afeto Jaime

Mário Margaride disse...

Boa noite, amigo Jaime.
Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.

Abraço de amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Isa Sá disse...

A passar por cá para desejar bom fim-de-semana!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

SOL da Esteva disse...

Pois é, Jaime! O que fomos ou o que somos, está em decadência continuada. Excelente interpretação. Parabéns.

Abraço amigo,
SOL da Esteva

Bandys disse...

Passando para ver as novidades e aproveito para deixar um beijo.

Fá menor disse...

Um interessante ponto de vista!
E... tantas "nascentes desperdiçadas" onde mergulhamos esquecimentos... e lembranças!!

Beijinhos, amigo Jaime! Tudo de bom!

Olinda Melo disse...

Caro Jaime
Vim aqui inundar-me da sua poesia que muito
aprecio. Dias cinzentos nos envolvem e oxalá
possamos encontrar um pouco da luz que nos
faz falta.
Tudo de bom, meu amigo.
Abraço.
Olinda

🌺JoAnna🌺 disse...

Olá Jaime,
Como sempre, seu poema é muito intrigante e interessante.
Ainda preciso refletir sobre ele, pois não tenho certeza se o compreendi completamente, mas é verdade que nosso destino é o declínio.

Atenciosamente, e tenha uma ótima semana! A primavera já chegou.

Graça Pires disse...

Um poema onde o poeta se interroga e nos interroga sobre este mundo em que vivemos onde tudo é absurdo e quase irreal.
Tudo de bom.
Um beijo.