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segunda-feira, 2 de março de 2026

Entre a mosca e a brisa [657]

 


O nosso fado é o declínio,

o sopro dos prantos

que nunca tiveram vício

passa a fustigar os sonhos

e o nosso império vai definhando.

O incolor desramado,

outrora floresta verde,

força-se a ilustrar

o vácuo da deslembrança

com o esquecimento mergulhado

em nascentes desperdiçadas.

As estrelas eram fluentes,

eram águas cristalinas

que irrigavam as retinas,

mas o amor vai adormecendo

em pontos fixos das serranias da vida.

E, finalmente,

pouco ou nada se passa

entre a mosca que pousa no prato

e a brisa que a empregada provoca

quando serve a sobremesa.

 

 

© Jaime Portela, Março de 2026


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