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segunda-feira, 25 de maio de 2020

O povo nunca ordenou [279]



Felizmente, não partimos muitas pernas.
Mas foi mais um fragmento de Abril
que morreu, gradualmente estrangulado
pela soberania das nossas costas a ele voltadas.

Do fracasso, deveria nascer o desejo
de pendurar um Maio de giestas em cada porta,
para que o bicho cão da indiferença
não lavasse o prato da fraternidade com a língua
nem ladrasse de egoísmo à igualdade aterrada.

Deveria germinar a fome de mudança
para que a miséria morresse dentro de portas
e não morresse Abril à frieza do ferrolho.
O povo nunca ordenou. E continuamos impassíveis
com o Maio a desflorar-se caído das maçanetas.


26 comentários:

A Paixão da Isa disse...

pois se sobesemos o que podiamos fazer era tao bom mas ainda nao sabemos ai ai mas bom mais um lindo poema bravo bjs feliz semana

Andreia Morais disse...

Fantástica poesia, como sempre, Jaime!

Aproveito para desejar uma ótima semana

Canto da Boca disse...


Potente!

Um Raio-X do que resistiu ao 25 de Abril e às tantas lutas de Maio.


Mesmo o povo não ordenando, para que os de cima continuem a ordenar, precisa do aval do povo.

Reflexivo texto, atualíssimo diante do que se v~e.

Cumprimentos.

Jornalista Douglas Melo disse...

Mais um belo poema meu amigo Jaime,
Destes de fazer “...Abril à frieza do ferrolho.”
Um abraço! Boa semana! E cuide-se!!!

Magui disse...

Infelizmente, muito verdadeiro, para além de belíssimo.
O povo vive iludido nessa certeza, que apenas tem voz em Zeca Afonso.
Beijo

Rosemildo Sales Furtado disse...

O poema é belo, só desconheço o tema que o inspirou.

Abraços e uma ótima semana para ti e para os teus.

Furtado

Cidália Ferreira disse...

Um poema diferente mas soberbo!Adorei :))
-
Vagueio na abstinência ...

Beijos e uma excelente semana :)

Sandra May disse...

Talvez nunca aprenderemos...
Intenso e belo o poema!
Uma ótima semana, Jaime.
Bjs.

Elvira Carvalho disse...

Não. Mas vivemos com essa esperança.
Abraço, saúde e boa semana

Pedro Coimbra disse...

O povo que, em certas latitudes, está obviamente a ser sacrificado à incompetência dos seus líderes.
Aquele abraço, boa semana

Marta Vinhais disse...

Só resta ter esperança para que tudo mude...
Poderoso, brilhante...
Beijos e abraços
Marta

Os olhares da Gracinha! disse...

O povo ordena quando se une em força e convicção!
Gosto do poema Jaime... 👍

Isamar disse...

Olá Jaime,
Um poema que nos faz reflectir bastante.
O povo nunca ordenou, mas acredito que vai conseguir, subtilmente, impor a sua vontade.
Magníficas e poderosas palavras. Amei!
Fique bem, beijinhos!

Ana Freire disse...

A miséria não acaba com a democracia, Jaime, infelizmente... e muito menos em regimes ditatoriais... ou liberais!...
Liberdade a mais... vê-mo-la em países... no momento absolutamente desorientados... supostamente ricos... e que também não fazem nada pelo seu próprio povo nem sequer no momento presente... entre estados divididos... andam até de ideias racionais, completamente perdidos...
O povo só pode intervir directamente pelo voto... e até quando o faz livremente... por vezes, escolhe acéfalos genocidas... como vemos em outros países... brilhantes em incompetência, no momento...
O nosso Abril não será perfeito... mas o Abril de muitos outros países... será ainda de pesadelo bem maior... há fome hoje... mas continuamos vivos... por vezes, há fome... porque não se soube poupar... palavra tão presente na vida dos nossos pais e avós, mas não nas gerações de agora... como poupar, quando se quer ter roupas de marca em cada estação, 2 ou 3 carros na garagem, férias e viagens de sonho, gadgets novos em cada 6 meses... e o desemprego agora no momento chegou?... A vida nunca foi feita de certezas... nem ontem, nem amanhã... porque o haveria de ser hoje?...
Um belíssimo poema, Jaime... que nos remete, para que se pense e repense... sobre a nossa posição no mundo... e perante nós mesmos... com a liberdade que Abril nos trouxe... mas nem sempre com o acertado discernimento de opções de escolha para a sua vida, que cada um entende tomar...
Beijinho! Boa semana!
Ana

betonicou disse...

Um poema de uma intensidade soberba. Uma reflexão posta sobre a mesa....Maravilhoso . Grande abraço Jaime. Bom dia.

Dalva Rodrigues disse...

Um belíssimo poema, amigo, Jaime, faço dele também meus sentimentos.
O demônio da desigualdade no Brasil é faminto e devorador há séculos. Passarão meses e meses após maio com a mortandade a nos perseguir.E quando cessar a doença, os frutos dela aumentará ainda mais a fome do demônio. Teremos força para lutar?
Abraço, parabéns!

Teresa Durães disse...

Demasiado nova, 4 anos, mas não, o povo nunca ordenou

© Piedade Araújo Sol disse...

JP

Não, o povo nao ordena, mas alguma coisa mudou desde então!
Que nos merece reflexão este poema é verdade que sim.
E é um grito que merece ser feito poema.
beijinhos
:)

Mar Arável disse...

Não matem os pássaros

lua singular disse...

Oi Jaime,
Não me meto em política, não faço parte dessa clã.
Faça Sol ou faça Chuva, se o povo já sofrido pela pandemia não se virar como pode morre na praia.
Nada sei da Política de Portugal.
Beijos no coração
Lua Singular

Fá menor disse...

Muito bom!

Não partimos as pernas, mas quebram-nos as asas.
E quando conseguimos colá-las para novamente voar, vem sorrateiramente alguém ousar cortar-lhes as pontas às penas, que depois levam uma infinidade de tempo a voltar a crescer. Depois, depois... não saímos de um círculo vicioso: quebra, cola, corta, cresce, quebra... Enfim...

Que muitos Maios floridos ainda nos venham visitar! Que a Esperança não nos fuja.

Beijinhos.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Excelente poema, gostei.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Giancarlo disse...

Come sempre...un'altra bella poesia.
Buon mercoledi.

Diná Fernandes de Oliveira Souza Souza2 disse...

Bom dia Jaime,

Reflexivos versos para ler e reler. Que melhores dias estejam prestes a chegar e que tenhamos o prazer de perceber algumas mudanças.
Como sempre vc prima pela qualidade poética.
Feliz dia amigo Jaime.

Abração!

Ygraine disse...

Oh this poem is superb...it is so intense and deep.
Who could fail to be moved by these words? Only the closed heart!
I love how you always make me reflect on being human...deeply!😊😊

Have a great evening, Jaime.

Kisses xxx

Teresa Almeida disse...

Teu eco é de desilusão, mas Maio ainda floriu. Realmente andamos emotivos. Demasiado.
Belo poema, meu amigo Jaime.