Translater

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Recordar é não viver [290]


Em tempos, sucumbiste à valsa firme do desejo,

até aí amordaçado nos recantos

que em ti se agigantavam,

e trucidaste o vazio, vivo e mole da saudade,

com o fado da ausência desgrenhada pela distância.

 

A fonte do bálsamo dos bálsamos, respiração

do teu corpo tão veemente quanto indomável,

floriu, então, nas tuas mãos,

bailarinas em ondas de prazer,

germinando inadiável essa viagem libertária.

 

As tuas costas, arqueadas, retesavam

todas as cordas de uma harpa em melodia solitária,

onde dedilhavas, febril, a dança do ventre inabitado

até me achegares ao teu peito.

 

Recordar é não viver,

é uma traição à essência do presente.

O que fomos, não existe.

Por isso, peço nova luz no teu colo tão amado.




39 comentários:

Roselia Bezerra disse...

Bom dia de paz e alegria, Jaime!
Uma poesia extraída da essência da melhor fragrância do Amor.
O último verso inebria a quem o lê.
Tenha dias abençoados!
Abraços fraternos de paz e bem

chica disse...

Lindo modo de poetar sobre as recordações e o presente...Gostei! abraços, tudo de bom,chica

Teresa Almeida disse...

Realmente há a tendência de viver no passado, quando o que nos pertence é o presente. Valerá a pena aproveitá-lo e poetizá-lo.

Teu belo e sensual poema recorda para viver.

Belíssimo, como é teu timbre.


Beijos e bom verão, caro amigo Jaime.

" R y k @ r d o " disse...

Boa tarde:- Poema muito bonito de ler. Penso ser mais fácil escrever sem rima. Mas isso é uma opinião minha. Gostei muito
.
Cumprimentos poéticos

Adelina disse...

Bellisimo poema y muy delicado. Muchos besos

Isamar disse...

Olá amigo Jaime,
Mais um fantástico poema "recheado" de belas palavras e tantas verdades.
Que o recordar não nos impeça de viver!

Um resto de semana feliz e em paz.

beijinhos

Dalva Rodrigues disse...

Oi Jaime, maravilhoso poema, uma súplica ao desejo de possuir o que não se tem, ao desejo de corpos vibrarem na mesma sintonia de paixão e prazer.
As recordações não podem nos paralisar, certamente, mas não podemos negar o passado com o que de bom e ruim nos trouxe marcas.
Abraço, saio sempre encantada com sua capacidade poética.
Abração, amigo!

Fá menor disse...

"Recordar é não viver"... Ora aí está uma frase que me dá que pensar, e que até é mesmo verdadeira em certas situações; sendo, de facto, uma traição à essência do presente...
Não podemos viver só de recordações, há que fazer-se ao caminho e andar para a frente, rumo a uma luz que nos dê vida!

Beijinhos, amigo Jaime.
Bom fim-de-semana, com saúde!

A Casa Madeira disse...

Sabe que esse recordar é não viver tem algum fundo
de verdade em algumas situações...
Belo! poema.
Obrigada pela sua lembrança de passar lá na casa;
Como estou finalizando o post de agosto consigo ver ainda
os ultimos comentários.
Abraços
janicce.

Humberto Maranduva disse...

Um belo poema, onde perpassa uma espécie de desgosto pela evocação que se esfuma na lembrança das imagens re-presentadas, mas impossíveis de presentificar. Reedite-se a sensualidade no embate terno dos corpos, para que o presente se erga de esperança no limiar do futuro.
Um abraço, caro Jaime.
Humberto Maranduva.

rosa-branca disse...

Olá amigo, recordar às vezes é doloroso e não ajuda a viver. Magnífico poema que adorei. Jaime, boa semana e beijos com carinho

São disse...

Sim, de facto, recordar não é a mesma coisa que viver, não.

O teu poema é mais uma beleza ...

Beijinho, meu querido amigo :)

Andreia Morais disse...

Recordar sabe bem. E há momentos que o pedem. No entanto, não podemos ficar presos a essas recordações eternamente, porque corremos o risco de nunca aproveitar o presente.

Fabuloso, como sempre, Jaime!

Continuação de boa semana

Amélia disse...

Poema brilhante! Recordar é não viver..
Gostei muito de ler.
Bjs

NASSAH disse...

Um fantástico poema.. Gostei

Cidália Ferreira disse...

Depende do que se recorde! Um excelente poema! 🍀
***
O meu coração pertence ao teu mundo...

Beijo e uma boa noite!

Pedro Coimbra disse...

Não sou nada, mas mesmo nada, dado ao ò tempo volta para trás.
Aqui e agora a pensar no futuro.
Aquele abraço, bfds

Sandra Figueroa disse...

Hay recuerdos que hacen daño y no nos dejan vivir el presente.... Excelente poema. Saludos amigo.

Os olhares da Gracinha! disse...

Recordar e viver... sendo diferentes na poesia formam um só!!! 👏👏👏👏👏

Marta Vinhais disse...

Às vezes, não vivemos realmente...
Mas devemos sempre viver a paixão e o amor...
Obrigada pela visita.
Beijos e abraços
Marta

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Mais um belo poema meu amigo, gostei.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Majo Dutra disse...

B e l í s s i m o!

Tão belo, Jaime! Uma maravilha.

Tem um Agosto bom e muito amoroso.

Abraço amigo.
~~~~

Giancarlo disse...

Ciao Jaime, buon pomeriggio.

Graça Pires disse...

Viver cada momento como se fosse o único, é o melhor. Belíssimo, o seu poema, meu Amigo Jaime.
Um abraço.

Ygraine disse...

Oh how this gorgeous poem resonates with me at this moment in time!
I have been reminiscing about past memories so much recently...and the bittersweet emotions that they conjure up.
Here, though, you express this poignancy with such eloquence...and I especially like the ending.
So utterly spellbinding!! 😊😊

Have a fabulous weekend, my friend!

Kisses xxx

Quase Cinderela disse...

Adorei o poema. Muito bonito
Tem que haver um equilíbrio na vida, saber lembrar o passado sem viver nele ou dele :)
Um grande beijinho

Tais Luso de Carvalho disse...

Belo poema, Jaime, esquecer o passado para viver o presente é bem melhor. Por vezes, certas recordações impedem de vermos as belezas do momento.
Parabéns, meu amigo!
beijo, um bom fim de semana.
Até mais!

vieira calado disse...

Olá, amigo!


"Recordar é não viver,

é uma traição à essência do presente.

O que fomos, não existe."


Compartilho dessa sua ideia!


Sem reservas.



Recordar é não viver,

é uma traição à essência do presente.

O que fomos, não existe.

luar perdido disse...

Amigo Jaime, que belíssimo poema!
Adorei.

Também partilho desta tua ideia, recordar é não viver, e atraiçoa o presente, não nos deixando viver. O que fomos é passado, ficou nalgum pedaço da estrada já percorrida, deveria ter sido intensamente vivido na sua altura. Agora... faz apenas parte da história da nossa vida.
"O que fomos, não existe", há que olhar em redor e viver - hoje, aqui e agora - intensamente, para em breve se tornar mais um pedacinho da nossa vida.
Fabuloso!

Bom fim de semana, meu amigo.
Beijo de luar

Manuel Veiga disse...

grande abraço
excelente poema...

SOL da Esteva disse...

Recordar é não viver se o que se lembra é passado e deva permanecer nesse estatuto. Presente e Futuro serão fruto da aprendizagem extraída das recordações.
Belo Poema! Parabéns.


Abraço
SOL

Magui disse...

Por vezes as recordações doem.
Beijo

alfacinha disse...

Um poema verdades e boas frases
um bom fim da semana

MadHatTriss disse...

Estou tão de acordo. No outro dia ouvi alguém dizer que se entristece com o presente e o futuro e que gosta de passar imenso tempo a recordar o que já viveu. Não consigo aceitar que se viva de memórias, há sempre tantas novas memórias para fazer!

Bom fim de semana!

Roselia Bezerra disse...

Boa tarde de sábado, poeta Jaime!
Você está aqui:
https://espiritual-marazul.blogspot.com/2020/07/revitalizacao-do-amor-inspirada-em.html
Tenha um ótimo final de semana abençoado!
Abraços fraternos de paz e bem

Pedro Luso de Carvalho disse...

Gostei muito deste seu poema amigo Jaime, “Recordar é não viver”, certamente fruto de inspiração e de apurada técnica. Parabéns Poeta.

Um ótimo final de semana amigo Jaime.

Grande abraço.

Ailime disse...

Boa tarde Jaime,
Um poema belíssimo cheio de sensualidade tão ao seu jeito.
Também estou de acordo, que recordar é não viver.
Porque viver é agora. Desfrutemos.
Um beijinho e bom fim de semana.
Ailime

Vanessa Vieira disse...

Ahhh!Poesia que nos encanta!!! É sempre bom ler teus versos poeta!! Um abraço grande!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Belíssimo poema Jaime, com ênfase para a estrofe abaixo:

As tuas costas, arqueadas, retesavam

todas as cordas de uma harpa em melodia solitária,

onde dedilhavas, febril, a dança do ventre inabitado

até me achegares ao teu peito.

Abraços,

Furtado