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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Rio de silêncio [296]

 

A renúncia,

marcada na areia dos dias

como dunas a percorrer a pele,

a desenhar-se nos poros.

 

A distância,

ampliada no olhar,

a penetrar na voz

de ouvidos metodicamente fechados.

 

O sol,

a debelar-se banal

à luz da prece dispersa na noite,

de mão retraída no brilho.

 

O temer

que para lá do fim

há uma pedra na matéria,

um nada, um muro,

alguma terra invisível

e um rio de silêncio sem retorno. 



37 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Excelente poema, gostei.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Roselia Bezerra disse...

Olá, amigo Jaime!
Que no silêncio, deixemos vir o sol!
Tenha dias abençoados!
Abraços fraternos

A Paixão da Isa disse...

muito bonito este poema bjs

Olinda Melo disse...


Caro Jaime

Os muros de silêncio e pequenos-nadas que
se transformam em grandes obstáculos
emperram a vida e o desejo de
um viver tranquilo e com amor.

Belo Poema, muito expressivo, que adorei ler.
Obrigada, meu amigo.

Abraço
Olinda

São disse...

O silêncio é bom, mas não quando forçado.

O poema? Lindo!

Beijinho, querido amigo

Graça Pires disse...

Um poema cheio de melancolia, meu Amigo Jaime, mas tão belo!
Muita saúde.
Um beijo.

Cidália Ferreira disse...

Aplausos, muitos aplausos para o seu poema!! :))
-
Sonhava ser ...
.
Beijos, e um excelente dia :)

Marta Vinhais disse...

As dúvidas que nos invadem num silêncio dorido...
Lindo....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

chica disse...

Lindo demais,gostei muito! abraços, chica

Isamar disse...

O medo de que "para lá do fim" não haja nada, apenas vazio é constante, mas a vida não se faz só de medos, por isso há que avançar dedicando-nos ao que mais amamos.
Amei esta sua poesia, e "invejo" as suas tão belas e inteligentes palavras.
Fique bem querido amigo Jaime!
Beijinhos

Bandys disse...

Ola Jaime,
Os silêncios as vezes
doem mais que as palavras.
Belo poema. Vc como sempre
escorrendo poesia pelos dedos;
beijos

" R y k @ r d o " disse...

Brinca com o trocadilho das palavras como ninguém. O meu elogio e aplauso pela inspiração e criatividade poética.
.
Saudações poéticas

Karocha disse...

Lindo Jaime

Bjs


Bfs

Amélia disse...

MARAVILHOSO POEMA!!👏👏 li e reli.
Continuação de boa semana
Bj

Andreia Morais disse...

Ficou maravilhoso, Jaime!

Continuação de boa semana :)

Fá menor disse...

As distâncias doem.

Esperamos sempre algum retorno,
mas quando este já é impossível, é como se algo nos fosse amputado no peito, e a dor é amplificada,
podendo ficar surda aos apelos do sol que teima em brilhar,
mas tantas vezes a noite nos é mais densa.

Contudo, haverá outros silêncios que nos falam se nos dispusermos a abrir um pouco os ouvidos.

Abraço, amigo Jaime.

Portugalredecouvertes disse...

O temer

que para lá do fim

há uma pedra na matéria,

um nada, um muro,

alguma terra invisível

e um rio de silêncio sem retorno.

Sabe que o meu pensamento saltou para aqueles campos de refugiados que se criam no nosso século XXI, homens, mulheres e crianças que possuem o nada
e a representação da "terra invisível" da pedra em cima do assunto, do rio de silêncio…

Dalva Rodrigues disse...

Muito lindo, meu amigo, Jaime, sempre me encanta com seus versos!
Nada impede a areia do tempo e seu efeito em nós, que só cessa ao silêncio final.
Abração!

eli mendez disse...

Un poema que encierra mucha tristeza y desesperanza frente a todo lo que acontece... Es muy muy bello.. Dios quiera que esas manos se alcen en oración y que el sol entibie nuestros corazones con certezas y esperanzas en un futuro prometedor... Mi abrazo y buenos deseos !!!

Pedro Coimbra disse...

Poema de fim de férias?
Aquele abraço, bfds

Os olhares da Gracinha! disse...

Também gosto muito 👏👏👏👏👏

Artes e escritas disse...

O isolamento e o distanciamento social são necessários, mas o fato é que não pode ser preenchido com melancolia, pois há o que fazer para si e para os outros, nem que seja escrever poema e deixar a alma livre para dizer desses tempos de pandemia. Um abraço, Yayá,

MARILENE disse...

Jaime, versos lindos que trazem melancolia e sombras. Começou o poema mencionando renúncia, mas no decorrer dele, fez alusão ao temor. Este, veste-se de interrogação, já que o muro pode ser, tão somente, cogitação. Como sempre, meus aplausos.

Sandra Figueroa disse...

Melancólico y hermoso poema. Saludos amigo Jaime. Cuidate.

SOL da Esteva disse...

Que não hajam mais sombras de muros a criar silêncios. Poema magistral. Parabéns.


Abraço
SOL

Teresa Almeida disse...

Caro amigo Jaime

Não sei porque li de olhos semicerrados, mas creio o poema me levou a sobrevoar um mundo de sentidos, com o silêncio a pautar-nos os passos.

Bravo!

Beijo.

© Piedade Araújo Sol disse...

JP

o teu Rio de Silêncio é um poema belo embora um pouco melancólico, mas como sempre um trabalho poético de inegavel beleza e qualidade.

Bom domingo!

beijinhos

:)

Manuel Veiga disse...

no teu habitual registo poético de grande qualidade
um poema especialmente belo.

abraço, caro Jaime Portela

Teresa Isabel Silva disse...

Bonito poema!
Aproveito para desejar uma boa semana!

Bjxxx
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Rosemildo Sales Furtado disse...

Amigo Jaime! Mais uma vez nos ofertas uma das tuas belas criações.

Abraços e uma ótima semana para ti e para os teus.

Furtado

LuísM Castanheira disse...

"A distância, O sol e O temer"
e essa "pedra", que dos silêncios
faz memória.
Oiço, ainda, a água de todas as fontes…
Belo.

Um abraço

Emília Pinto disse...

Gosto de dizer " até já ", mesmo que saiba que esse "já " vai ser longo; dizer adeus assusta... parece que nunca mais vamos ver essa pessoa, seja aquela que amamos e que connosco partilha a vida, seja um Amigo ou mesmo um desconhecido que teve a amabilidade de parar para uma conversinha ou pedido de informação; prefiro dizer-lhe um " até já. Mas, Jaime, todos temos aqueles momentos dolorosos, aqueles momentos da última despedida e esse " até já " fica ridiculo, por mais que nos apeteça dizê-lo. Não sei o que teremos depois do ultimo instante, mas, creio que para quem se fou não haverá mais um novo começo; a vida continuará o seu ciclo normal, com o sol a nascer, e a noite a chegar, mas para quem partiu só restarão as lembranças daqueles que o choram, daqueles que, por uns tempos só terão escuridão e silencio, por mais que o sol brilhe, por mais ruidos que a multidão faça na sua habitual correria. É assim, Amigo, a vida...momentos de tudo, de amor, de alegrias, de grandes tristezas e dores. Espero que a nostalgia deste poema esteja só nas palavras usadas, mas, confesso, o momento está mesmo para isso e além do mais, aproxima-se o outono, estação nostalgica, estação onde o florido dos jardins começa a dar lugar às folhas que se desprendem das árvores e dão uma cor amarelada ao verde dos relvados.tudo começa a ficar mais triste, pelo menos para mim. SAÚDE, querido Amigo e parabéns pela escrita, sempre bela. Um beijinho
Emilia

rosa-branca disse...

Há rios de silêncio sem retorno...se os há!!!...que nos afogam a alma. Maravilhoso poema que amei demais. Jaime, boa semana e beijos com carinho

A Casa Madeira disse...

É um mar de criatividade sempre!
Obrigada por apreciar meu pequeno jardim;
Boa continuação de semana.

teresa dias disse...

Magnífico, meu amigo Jaime, este teu rio de silêncio... mas sem margens!
Beijo, fica bem.

Ailime disse...

Boa tarde Jaime,
Um poema belíssimo em que a voz do silêncio se torna bem presente, para além dos muros.
Gostei bastante.
Um beijinho.
Ailime

Ana Freire disse...

Um belo poema... que nos faz reflectir... sobre o que haverá para lá da curva da estrada... talvez alguma terra ainda invisível, e um outro braço de rio... para percorrer de novo... com o entusiasmo de uma primeira vez... como diria Pessoa... who knows what tomorrow brings?...
Mas como a vida, se faz de presente... continuemos a apreciar ao máximo a nossa viagem...
Beijinhos! Boa semana!
Ana