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segunda-feira, 27 de junho de 2022

Por onde entrou a tua essência [413]

 


Por onde entrou a tua essência
se para alojar um anjo que fosse
nunca me nasceram ideias?
Como coubeste num lugar inexistente,
se nem sequer uma unha
a quebrar-se de carência me assaltava,
mesmo quando os teus olhos

se prendiam soltos nas palavras de fome

que me libertavam numa prisão de papel?
Que me lembre, as portas estavam fechadas
e não havia janela ou chaminé
viradas para a tua ausência.
E eu não desvendei porto nem cais
onde pudesse atracar um navio sequer.
Certo é que dei contigo à viola das palavras
de lume crepitante nos olhos,
a voar nos meus relógios
e à lareira de uma alvorada de ponteiros,
onde adormecemos à espera de um milagre.
Agora, o temor da tua ausência

quando te vejo numa estrada sombria a caminhar

agarrada ao intestino amargo da tristeza,
é uma nuvem de pesadelos mudos
colada às rugas inquietas do meu cérebro.
Será que tudo isto é um disparate?
Um embaraço de segredos em silêncio?
Acho que não, disparate é fugir

e morrer da cura na certeza terminante.

 

© Jaime Portela, Junho de 2022


33 comentários:

Porventura escrevo disse...

Excelente reflexao, jaime
Muito pessoal
Boa semana

- R y k @ r d o - disse...

Disparate é fugir e depois deixar-se apanhar, lol

Como sempre um poema lírico, esvoaçante, onde a imaginação não tem limites.

A ambiguidade das palavras é visto como um desvio das normas padrão, embora seja aceitável na linguagem lírica e poética, devido à maior liberdade criativa nesse tipo de escrita. Ter esse dom de "brincar" com o lírico é magistral. O meu elogio.
.
Cumprimentos e uma semana feliz
.
Pensamentos e Devaneios Poéticos
.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Gostei deste belo poema.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Fá menor disse...

Muito belo!

Estranha comparação, mas os vírus também se infiltram assim, não sabemos por onde nem o que atingem.

Beijinhos e tudo de bom !

Paula Saraiva disse...

Lindíssimo poema. Adorei
Beijinhos

Marta Vinhais disse...

Nada é um disparate... quando o desejo, a paixão se agarra assim... com intensidade...
Bonito...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Malania Nashki disse...

"nos dormimos esperando un milagro." Entiendo que es dormir despierto, dejar pasar la vida esperando que ocurra algo sin buscarlo. ¿Es así?
Que tengas una hermosa semana.
Un abrazo desde Misiones Argentina.

Cláudia disse...

Excelente, bem profundo.

Boa semana :)

Graça Pires disse...

A ausência é sempre uma ferida que não cura. Inspirado poema, meu Amigo Jaime.
Uma boa semana com muita saúde.
Um beijo.

Caterina disse...

Poesia eccellente, ricca di originalità. Complimenti come sempre. Buona giornata, amico Jaime.

Regina Graça disse...

Não há que temer a ausência. O agora é um tempo sem princípio nem fim.

Amigo Jaime, obrigada pela paciência... Óptima semana

Ailime disse...

Boa tarde Jaime,
Um poema magnífico em que as metáforas tomam bastante relevo neste seu lindo escrito poético.
Um beijinho e uma boa semana.
Ailime

Franziska disse...

En mi opinión y ya sabes que tienes que tener en cuenta que mis conocimientos de la lengua en que escribes son muy escasos, su esencia entró directamente a tu corazón, allí se instaló definitivamente y creo que tiene pocas posibilidades de abandonar un lugar tan hermoso y donde se sienta tan amada. Un abrazo de paz y de esperanza.

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Boa tarde, Jaime. Poema extremamente interessante e admirável.
Metáforas bem construídas insistindo com a nossa compreensão.Mistérios que couberam em cada verso do seu poema.
Grande abraço!

brancas nuvens negras disse...

O amor e as suas dores... sem cura.
Um abraço.

Meulen disse...

Cuando se forjan lazos verdaderos , la ausencia no es pesar.

Linda semana.

MARILENE disse...

Como um observador você caminhou lindamente, embora a incerteza tenha permeado sus passos. Se existe a dor da ausência, não obstante o que se vê nas estradas de outrem, a fuga não seria boa escolha. Muito belo, Jaime!

Lucia disse...

Olá Jaime.
Muito belo seu poema, gostei imenso de lê-lo.
Boa semana pra você.
Beijos!

Maria Lucia (Centelha) disse...

Em se tratando de um poeta maravilhoso como o Jaime Portela, tudo cabe no disparate, como a emoção, o gosto pela escrita perfeita.
Mais um poema que me encanta.
Beijos meu poeta.

J.P. Alexander disse...

Triste y bello poema. Cuando la persona que amas se va siempre duele. Te mando un beso.

Isa Sá disse...

Bonito poema.

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Os olhares da Gracinha! disse...

A ausência foi o mote para um interessante poema!!!bj

Pedro Coimbra disse...

Aconselho render-se ao perfume inebriante.
Abraço

Mário Margaride disse...

Boa tarde, caro amigo Jaime,
Poema muito interessante, onde o lirismo, transcreve na sua génesis, o sentir do poeta, em toda a sua dimensão.
Gostei muito.

Votos de uma excelente semana, com muita saúde.
Abraço amigo.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com

Kinga K. disse...

Fabulous :)

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde JP

Um poema intrigante e cheio de metaforas.
Mas um bom poema como é habitual por aqui.
Boa semana com muita saúde e harmonia.
Um beijo

:)

Cidália Ferreira disse...

Um poema belo, intenso... Obrigada pela partilha!

-
Nas dobras do tempo...

Beijos. Votos de uma excelente semana

Isamar disse...

Isto é a poesia em toda a sua essência. O seu talento é incontestável, muitos parabéns!
Querido Amigo Jaime que a sua semana continue assim, repleta de enorme inspiração!!!
Beijinhos

São disse...

Tocante de profundidade!

Se não é pessoal, imita muito bem.

Beijinho, Poeta.

Arthur Claro disse...

Muito boa esta poesia, meus parabéns.

Arthur Claro
http://www.arthur-claro.blogspot.com

Malania Nashki disse...

A veces no damos importancia a lo que tenemos a nuestro lado y cuando se aleja los extrañamos. Hermoso poema amigo Jaime.
Te mando un gran abrazo desde Misiones Argentina.

Parapeito disse...

Um poema profundo e cheio de intensidade.
Gostei muito de o ler.
Abraço e brisas doces *

NASSAH disse...

Lindissimo profundo poema