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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Deles, pouco sabemos [649]

 


Deles, pouco sabemos,

o que vemos são atores

que não dizem o que pensam

e quase nunca pensam o que dizem.

 

Dos que bem conhecemos,

é frequente vermos

cristalinas trapalhadas

e verdadeiras desonestidades.

 

Durante muito tempo,

não sei em que espaço da memória,

vê-los-emos num manhoso esboço

como se fosse colorido

por um mau pintor

que dorme de dia num jazigo gótico

encimado por um anjinho branco em oração.

 

As suas palavras vão sendo esquecidas

até congelarem

e serem substituídas por outras,

de outros atores.

 

E as plateias,

manipuladas,

porque não frequentam o teatro,

engolem as imagens

que o subconsciente desenha

e só muito mais tarde, ou nunca,

percebem o engodo.



© Jaime Portela, Janeiro de 2026