Fiquei inquieto
e o sossego deixou de respirar.
Então, como uma bomba,
o dia, a prometer desapoquentação,
escaqueirou-se.
Vociferei, possesso,
e as minhas mãos, a rezingar,
pediam a cura
oferecida pelo comando
como quem implora água
para apagar um incêndio.
Uma luz estroboscópica,
sem pudor,
penetrava nas crédulas mentes
ao som de granadas de fumo inventadas.
Com o risco de um AVC,
secou-se-me a garganta.
Para me salvar,
abandonei o café,
era o embusteiro do costume
a cuspir, useiro e vezeiro,
o seu desprezível veneno
em cima dos imigrantes e ciganos
pela milésima vez na TV.
© Jaime Portela, Janeiro de 2026
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