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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Useiro e vezeiro [652]

 


Fiquei inquieto

e o sossego deixou de respirar.

Então, como uma bomba,

o dia, a prometer desapoquentação,

escaqueirou-se.

Vociferei, possesso,

e as minhas mãos, a rezingar,

pediam a cura

oferecida pelo comando

como quem implora água

para apagar um incêndio.

Uma luz estroboscópica,

sem pudor,

penetrava nas crédulas mentes

ao som de granadas de fumo inventadas.

Com o risco de um AVC,

secou-se-me a garganta.

Para me salvar,

abandonei o café,

era o embusteiro do costume

a cuspir, useiro e vezeiro,

o seu desprezível veneno

em cima dos imigrantes e ciganos

pela milésima vez na TV.

 

 

© Jaime Portela, Janeiro de 2026


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