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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Reflexões inúteis [655]

 


Sem o espaço ou sem a matéria

não vejo o tempo nem a sua medida.

Como não vejo Deus,

sem o Pai, O Filho e o Espírito Santo.

De resto,

o relógio é limitado,

não serve para calcular as emoções

e não existem apetrechos

para avaliar os sonhos.

O tempo, não sei bem o que é,

mas será apenas um invólucro irreal

para ordenar o real,

só que ficam de fora as partículas que,

na sua deslocação quântica,

não gastam tempo

nem percorrem espaço

para surgirem a grandes distâncias.

Se penso sem pressa e demoradamente

dentro do comboio em andamento,

qual a velocidade do pensamento?

Serão síncronos

o meu pensamento,

as palavras que agora escrevo

e o fumo do meu cigarro?

Intuo um engano nestas considerações,

mas desconheço a arte

e o engenho para iluminar tal equívoco.

Reconheço a inutilidade destas reflexões,

mas a verdade é que não percebo o que,

sendo impalpável,

nos mede e nos abate sem exceção.

 

 

© Jaime Portela, Fevereiro de 2026


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