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segunda-feira, 6 de abril de 2026

O vinho brando da languidez suave [662]

 


O vinho brando da languidez suave,

como um aconchego frágil,

entranhado e congelado

pelas dificuldades estrada fora

e desmaiado nas fontes

divorciadas dos olhos parados,

é venerado pelo povo

como um servo a um tirano subjugado.

 

Invade-o um ocioso saber agitado

em que, feito médium,

pressente aparições,

retorce cotovelos de conceitos

e que, no meio de emoções alternadas,

julgando-se certo,

se desarruma embaralhado.

 

 

Pensar e ajuizar,

misturam-se até se tornarem

numa desventurosa e convicta amálgama

de credos e sentimentos,

em que os factos e as perceções,

de tão confusos, ficam iguais

como água misturada no vinho,

uma zurrapa que, só de cheirar,

já dá voltas ao estômago.

 

© Jaime Portela, Abril de 2026