O vinho brando da languidez suave,
como um aconchego frágil,
entranhado e congelado
pelas dificuldades estrada fora
e desmaiado nas fontes
divorciadas dos olhos parados,
é venerado pelo povo
como um servo a um tirano subjugado.
Invade-o um ocioso saber agitado
em que, feito médium,
pressente aparições,
retorce cotovelos de conceitos
e que, no meio de emoções alternadas,
julgando-se certo,
se desarruma embaralhado.
Pensar e ajuizar,
misturam-se até se tornarem
numa desventurosa e convicta amálgama
de credos e sentimentos,
em que os factos e as perceções,
de tão confusos, ficam iguais
como água misturada no vinho,
uma zurrapa que, só de cheirar,
já dá voltas ao estômago.
© Jaime Portela, Abril de 2026
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