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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Useiro e vezeiro [652]

 


Fiquei inquieto

e o sossego deixou de respirar.

Então, como uma bomba,

o dia, a prometer desapoquentação,

escaqueirou-se.

Vociferei, possesso,

e as minhas mãos, a rezingar,

pediam a cura

oferecida pelo comando

como quem implora água

para apagar um incêndio.

Uma luz estroboscópica,

sem pudor,

penetrava nas crédulas mentes

ao som de granadas de fumo inventadas.

Com o risco de um AVC,

secou-se-me a garganta.

Para me salvar,

abandonei o café,

era o embusteiro do costume

a cuspir, useiro e vezeiro,

o seu desprezível veneno

em cima dos imigrantes e ciganos

pela milésima vez na TV.

 

 

© Jaime Portela, Janeiro de 2026


43 comentários:

Cláudia disse...

Forte!

Jovem Jornalista disse...

Genial poesia! Parabéns por ter escrito.

Boa semana!

O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

Jovem Jornalista
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Até mais, Emerson Garcia

São disse...

A comunicação social é uma das grandes responsáveis pela ascensão da extrema-direita, sem dúvida alguma !

Abraço, meu amigo, boa semana.

Graça Pires disse...

Já não se pode ouvir. Abrimos a televisão e lá está ele em todos os canais a destilar veneno. Gostei, meu amigo Jaime.
Uma boa semana.
Um beijo.

chica disse...

Simplesmente linda e intensa!
abraços, ótima semana! chica

ematejoca disse...

Este poema expressa ansiedade social e indignação frente ao discurso odioso que desumaniza imigrantes e ciganos, revelando a tensão entre o medo pessoal e a necessidade de cura | adressar a crise com honestidade. Usa imagens fortes (bomba, luz estroboscópica, AVC) para mostrar o impacto neural e emocional do alarmismo na mente. O café funciona como refúgio quebrado, exposto a manipulações. Em poucas palavras: raiva e fúria ante a manipulação mediática e a discriminação, buscam salvação e verdade.

Abraço democrático de Düsseldorf.

Bandys disse...

Olá Jaime, eu não tenho visto TV, muito menos noticias. Atualmente escutar musica com um bom cafe faz parte do meu cotidiano.
Beijos

Meulen disse...

Encontrar verdadera justicia social,...es algo improbable en el tiempo que se vive, cada vez más caótico producto de tantas ideología sin sentido...
Saludos., buena semana.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde JP
Já mete dó!
Farinha do mesmo saco.
A paciência tem limites.
Não me alongo mais, há assuntos que me fazem entrar em stress.
Boa semana com saúde e paz.
:)

AMALIA disse...

Muy realista y bueno tu poema.
Fantástico.
Feliz semana.
Un abrazo.

Janita disse...

O homem vai mudar, acredite Jaime!
Aliás, já moderou o discurso.
Foi na zona onde habitam mais ciganos e imigrantes que os votos a favor, foram mais significativos.

Beijinhos, Poeta Jaime e amigo! :)

silvia de angelis disse...

Un grido nervoso e lucido contro l’assedio quotidiano di ansia, propaganda e tossine mediatiche, dove il corpo diventa l’ultimo campo di resistenza.
Buona settimana

Mário Margaride disse...

Olá, amigo Jaime.
A cassete continua sem se desgastar. Até um dia alguém se encarregar de a quebrar.
Muito oportuno este poema, amigo Jaime.
Gostei bastante.

Abraço e boa semana!

Mário Margaride

Luiz Gomes disse...

Parabéns Jaime pelo texto. A justiça social, está cada vez mais distante, das pessoas que necessitam. Uma excelente noite. Grande abraço do seu amigo brasileiro.

Marta Vinhais disse...

É só o que se ouve... discursos de ódio...
Poema forte...
Beijos e abraços
Marta

Lucia disse...

Olá caro Jaime.
É bem assim mesmo.
Uma boa poesia de desabafo.
Forte e real.
Boa semana amigo poeta.
Beijo!

Lucimar da Silva Moreira disse...

Jaime vejo pouca TV mas o café não abandono, feliz semana bjs.

Teresa Isabel SIlva disse...

Como habitual gostei de reflexão que me trouxe!
Aproveito também para desejar uma boa semana!

Bjxxx,
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brancas nuvens negras disse...

Estamos atentos aos pinotes do "bicho".
Boa semana.
Um abraço.

J.P. Alexander disse...

Fuerte y profundo poema de una realidad que nos golpea duro. Te mando un beso.

Emília Simões disse...

Boa noite Amigo Jaime,
Um poema intenso, sobre o que todos os dias nos entra pela casa dentro.
Já não posso ouvir as barbaridades proferidas. E diz-se cristão! Jesus chamava a si, todos os que essa pessoa rejeita.
O poema é magnífico.
Beijinhos e continuação de boa semana.
Emília

Momentos disse...

Jaime, profundo poema
verdadera justicia social es lo que nos esta faltando.
Una delicia leerte Poeta.
Que tengas un hermoso y feliz día.
Besos Jaime

Pedro Coimbra disse...

Essa iminência parda já só convence os seus devotos e imbecis fiéis.
Abraço, boa semana

TORO SALVAJE disse...

Qué mundo tan horrible...
Buen poema.

Adriana Helena disse...

Olá Jaime, estou impressionada com seu poema! Ele é fortíssimo!!
Inclusive até me causou preocupação sobre o atual estado dos imigrantes aí na terrinha, Portugal. Esse ódio em relação a eles é assustador. Eu tenho um sobrinho que vai completar 18 anos e pretende ir estudar em Portugal, cidade de Bragança. Eu já estou preocupada com ele, pois é muito jovem e até certo ponto ingênuo para aventurar-se em uma cidade tão longe de sua terra natal. Espero que seja bem recebido pelos portugueses.
Um grande abraço amigo!!!
Maravilhosa semana! :))))

Os olhares da Gracinha! disse...

Uma luz estroboscópica,
sem pudor,
penetrava nas crédulas mentes
ao som de granadas de fumo inventadas... 👏😘

Os olhares da Gracinha! disse...

Uma luz estroboscópica,
sem pudor,
penetrava nas crédulas mentes
ao som de granadas de fumo inventadas... 👏😘

Isa Sá disse...

Bonito poema!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Silent Movie - ©Theda Bara disse...

Your poems have shown a certain political tension lately.
(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.

Tais Luso de Carvalho disse...

Olá, Jaime, terrível, por quê isso, meu Deus, que falta de humanidade!
Igual aquele outro lá que colocou num avião e mandou
todos de volta? Eta vidinha triste...
Poema brilhante, mostra tudo até o que não aparece a gente sente.
Uma boa continuação de semana.
Bjs, amigo! Paz e saúde por aí.
Muito triste

Pedro Luso de Carvalho disse...

Olá, amigo Jaime, gostei muito desse seu magnífico poema.
Um poema que traz a marca do poeta amigo Jaime Portela.
Votos de uma ótima semana, com muita paz.
Abraços.

Eduardo Medeiros disse...

Teu poema é visceral. Um poema indignado e complexo.
Tenho lido que Portugal tem endurecido as regras migratórias. Como toda questão, essa tem mais de um lado. Tem o lado da perseguição a imigrantes que acabam sendo vistos como inimigos do país, e tem o lado negativo do quanto um país pode ser desfigurado pelo excesso migratório, principalmente de pessoas que negam o jeito de viver ocidentais, como mulçumanos radicais. Não é fácil se chegar a um equilíbrio.

abraços

Juvenal Nunes disse...

É preciso muita atenção e presença de espírito para separarmos o trigo do joio de tudo quanto é passado pela TV.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes

Olavo Marques disse...

Olá talentoso Jaime! Incrível poema, muito forte e atual. Gostei da forma crua como descreveu esse mal-estar que se instala, quase físico, provocado pelo discurso repetido e venenoso. Os seus poemas deixam qualquer um a pensar. Abraços! 🤗

Ana Tapadas disse...

Muito talento, ao falar assim daquele que estou a ouvir outra vez a ser entrevistado...é de uma enorme lucidez!
Um beijo

Mário Margaride disse...

Olá, amigo Jaime.

Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.

Abraço de amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

SOL da Esteva disse...

"Ruídos sociais" não fazem falta porque só armam confusão. Excelente intervenção poética, Jaime.
Forte, feio e duro. Assim é... infelizmente.
Gostei muito, Amigo.


Abraço,
SOL da Esteva

Majo Dutra disse...

Quando lhe faltam argumentos, ataca os débeis...
Comportamento reles e cobarde.

Aplaudo o talento pela crítica social...
Boa semana... Um abraço.
-----------

Anónimo disse...

Bonjour Cher poète ,
Ton poème respire et brûle en même temps.
Chaque mot touche, frissonne et éclaire,
comme une lumière intime dans la nuit.

j'ai adoré !
Bon dimanche
Bisou
இڿ-ڰۣ Véronique

🌺JoAnna🌺 disse...

Ótimo poema, poesia excelente. A televisão mente, eu não assisto e não pretendo assistir. Atenciosamente, Jaime, e tenha um bom fevereiro.

Jaime Portela disse...

Tradução: Olá, querido poeta,
seu poema respira e arde ao mesmo tempo.
Cada palavra toca, estremece e ilumina,
como uma luz íntima na noite.

Adorei!
Feliz domingo.
Beijos
, Véronique.

Jaime Portela disse...

: Um grito nervoso e lúcido contra o cerco diário da ansiedade, da propaganda e das toxinas da mídia, onde o corpo se torna o último campo de resistência.
Tenha uma boa semana!

Eros de Passagem disse...

O que se há de fazer, meu caro Jaime? Só não podemos cruzar os braços. É preciso denunciar sempre e lutar para que possamos mudar pelo poder do voto.
Um grande abraço, meu caro poeta!