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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Flores resilientes [685]

 


Palavras copiosas,

impregnadas de seda

na cara de cravos rubros hesitantes,

e o poder vai na sua rota presunçosa,

numa coreografia

sempre reinventada de estandartes

nas avenidas da verdade alternativa

e à sombra de faustosos capelos

sobre cadeiras auditadas de veludo.

 

Os cães ladram e a caravana passa,

dizem,

pelo trajeto dos cortejos autistas

que evitam os bairros indigentes,

onde o choro dos chafarizes

é um dano colateral do abandono,

tombando a alegria

distante das memórias de luz,

não que as calçadas gritem

ou se ensombrem com as caras de pau

ao pálio do faz de conta.

 

As lanças,

de quinas verbais em quarteis arrogantes,

caem em terreiros

que se vão despovoando

pela esquivança da descrença,

e, assombrosamente,

nos jardins por onde vagueiam,

as saudades pintam de cores resilientes

as flores que ainda protestam.

 

© Jaime Portela, Setembro de 2026