A existência não é senão isto.
Não há quem saiba remar e não há ordem a bordo.
Eclipsaram-se os valentes e ficaram
os fanfarrões sem vergonha no comando.
Os discursos são pórticos inúteis,
alfaias partidas, presságios de péssimas
colheitas.
Ainda assim,
não há saudade das terras longínquas
libertadas,
das sombras que nos espreitavam as falas
nem das prisões arbitrárias
que domesticavam o povo.
Felizmente que os cravos estão vivos
e Maio é um direito e uma voz de quem trabalha.
© Jaime Portela, Maio de 2026