Apesar dos amanhãs paralelos
inscritos na carne,
onde a luz que nos desliga
das sombras é recíproca,
temos facas cravadas nas têmporas
e dormimos acordados
à espera de um milagre,
quais abelhas ferradas no aroma das flores.
Possuídos apenas desta vida,
que nem sempre entende
a virtude da entrega solidária,
somos o laço de sangue que nos debela,
ao ponto de não nos sabermos desenhar
em rios, mares e florestas
nem desatar os pulsos
da cruz que nos aparta da essência.
© Jaime
Portela, Maio de 2022