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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Assessoria política [651]



A confissão

é das carências mais humilhantes,

a alma tem que se virar do avesso

e mostrar-se tão nua

como quando veio ao mundo.

Por isso,

quando te confessares no discurso,

revela o que não sentes,

liberta a tua alma

do fardo dos seus mistérios

que nunca existiram.

Finge a ti mesmo,

não penses em falar da realidade,

porque na revelação há sempre erros.

Então, sê conhecedor e criterioso,

que revelar seja não dizer,

pelo menos, toda a verdade.

 

 

© Jaime Portela, Janeiro de 2026


45 comentários:

chica disse...

Belos conselhos de assessoria política! Aliás o mundo todo, nesse quesito, está carente! Cada uma vemos! Afff.... abraços, linda semana, chica

Jovem Jornalista disse...

De uma profundidade sem tamanho. Gostei bastante dessa poesia.

Boa semana!

O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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Até mais, Emerson Garcia

São disse...

Fizeste-me lembrar António Aleixo.

Meu amigo, te abraço, boa semana.

Cláudia disse...

Forte, gostei.

Boa semana

silvia de angelis disse...

Una riflessione intensa sulla confessione, come gesto ambiguo, dove il dire non coincide mai del tutto con il rivelare, e la verità resta sempre parziale e fragile.
Buona settimana

Jaime Portela disse...

Tradução: Uma reflexão profunda sobre a confissão, como um gesto ambíguo, onde dizer nunca coincide totalmente com revelar, e a verdade permanece sempre parcial e frágil.
Tenha uma boa semana!

Marta Vinhais disse...

A verdade pode ser distorcida...é necessário ter um certo cuidado com o que se revela...
Beijos e abraços
Marta

Olinda Melo disse...

Nisso da política todo o cuidado é pouco. Aliás, há uma ciência chamada de Ciência Política que ensina os meandros e os labirintos por onde se move. Nem sempre se pode dizer tudo, tem de haver algo que tem de ficar guardado para melhores oportunidades...
Um poema que põe em evidência a verdade e a mentira na política.
Uma bela semana lhe desejo, amigo Jaime.
Abraço
Olinda

AMALIA disse...

Muy bueno y realista.
Estupendas letras.
Un abrazo.
Feliz semana.

ematejoca disse...

Poema sobre a confissão como humilhação, exige revelar apenas o que não é real ou fingido, sugerindo que a verdade plena é impossível; a revelação deve ser criteriosa, pois dizer tudo pode ser erro. Mantém tom intimista e paradoxal sobre dizer não-dizer.
Brilhante como a análise política sobre os muitos vencedores e vencidos das presidenciais.
Abraço democrático e de confiança.

Teresa Isabel SIlva disse...

Muito bem dito! Gostei de ler!

Bjxxx,
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Tais Luso de Carvalho disse...

Olá, amigo Jaime, há verdades que podem e devem ficar para nós, não há necessidade dizer tudo, pois muita coisa são distorcidas, algo terrível e que mexe muito com pessoas que pensam em ser sinceras o tempo todo, quando ele piora tudo!
Muitas vezes o silêncio é de ouro! Faz bem aos que silenciam...
Uma ótima semana, amigo!
Beijo.

❦ Cléia Fialho ❦ disse...

Um texto forte, provocador e profundamente lúcido.
Há nele uma ironia fina que desnuda não a alma, mas o próprio ato de confessar — especialmente quando a confissão se torna estratégia, discurso, encenação. Os versos conduzem o leitor a refletir sobre o jogo entre verdade e aparência, sobre o quanto revelar pode ser, paradoxalmente, esconder.

É poesia que inquieta, que convida ao pensamento crítico e deixa um eco incômodo e necessário. Muito bem construído, com uma densidade que não se entrega facilmente, mas recompensa quem se permite ler com atenção.

BOA SEMANA MEU AMIGO

Mário Margaride disse...

Poema muito atual e realista. Refletindo os bastidores da política, muitas vezes escondidos.

Gostei bastante, caro amigo Jaime.

Abraço e boa semana!

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

brancas nuvens negras disse...

Para alguns, a verdade é apenas um ponto de vista.
Boa semana.
Um abraço.

Meulen disse...

Quien no dice su verdad , se miente a si mismo...
y lo peor si es que los demás crean...

Buena semana.

Janita disse...

Bem visto e melhor dito, amigo Jaime!!
Beijinhos, boa semana

Lucia disse...

Olá caro Jaime.
Um belo e forte poema, meu amigo poeta.
Tenha uma excelente semana.
Beijo!

J.P. Alexander disse...

Profundo y reflexivo poema. Te mando un beso

Pedro Coimbra disse...

Sou pouco dado a fingimento, pantomima.
Enervo-me e engasgo-me.
Abraço, boa semana

TORO SALVAJE disse...

Ni confesar ni negar.
Lo mejor es no decir nada.
En boca cerrada no hay peligro.
Saludos.

Emília Simões disse...

Bom dia Jaime,
Magnífico poema!
Na política, como na vida em geral, não devemos confessar-nos e dizer tudo o que nos vai na alma.
Há que aguardar os momentos certos, para ir desvendando o pensamento.
Beijinhos e continuação de boa semana.
Emília

Roselia Bezerra disse...

Amigo Jaime, bom dia de paz!
Há tanta falcatrua nos discursos que nem sabemos onde vamos parar...
Crítica poética real.
Tenha dias abençoados!
Abraços fraternos

Os olhares da Gracinha! disse...

Atual e pertinente 👏👏👏😘

Lucimar da Silva Moreira disse...

As vezes silenciar partes é mais honesto do que expor tudo, pois na política são tantas coisas ruins, Jairo abraços.

Andre Mansim disse...

Muito bom poeta!
Sábios conselhos!

Adriana Helena disse...

Que poesia fantástica Jaime, pequena em versos mas de uma profundidade oceânica!
A verdade precisa vir à tona, mas creio que no meio político ela é sempre mascarada...
Abraços e uma ótima semana!! :)))))

Juvenal Nunes disse...

Isso que aconselha é o que fazem os políticos e chama-se demagogia.
Continuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes

Jaime Portela disse...

Caro Juvenal, talvez não tenha reparado na ironia... não se trata de nenhum conselho meu.
Obrigado pelo seu comentário. Um abraço.

Eduardo Medeiros disse...

Perfeito!
Há sempre reservas ocultas não confessadas em toda confissão.

Bandys disse...

Olá Jaime querido,
Ótima reflexão. Na politica temos que ou levar com bom humor ou na ironia, pois esta tudo muito difícil de entender.
Desejo uma feliz noite e deixo um beijos

Silent Movie - ©Theda Bara disse...

Can we trust politicians? They are all opportunists.
(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.

Ana Tapadas disse...

Poema muito oportuno, meu amigo!
Um beijo

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema que vim cá conhecer.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Isa Sá disse...

Parabéns pelo seu talento para a escrita!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Emília Pinto disse...

" Na inútil vala comum da discórdia " há que caminhar com cuidado para não sermos lançados nessa vala " ; somos pessoas " alérgicas " a mentiras, à deturpação dos casos que vão acontecendo na nossa sociedade e nos nossos políticos; a lama lançada uns aos outros é tanta que nela ficam enterrados os reais problemas do nosso povo; uma vez ou outra lá vem uma opinião sobre o que realmente importa, mas, o povo, infelizmente, já sabe que não passam de promessas logo esquecidas depois do acto eleitoral. O povo está cansado e isso leva-o a querer mudança votando em indvíduos nada confiáveis que só querem os holofotes sobre eles; fazem-lhes a vontade, os meios de comunicação, dando-lhes uma invisibilidade que, na minha opinião, não merecem. E assim vão crescendo esses indivíduos, não só aqui, mas, por todo o mundo....
Triste, mas, o que fazer?
Beijinhos, Jaime e que continues imune a tanta falsidade, pois está cada vez mais difícil,,,
Não há vacina capaz de nos livrar de tanta imundície
Emília 🌻 🌻

Majo Dutra disse...

Sorrisos...
Esta sátira está genial e é bem oportuna.
Um abraço, amigo Poeta.
~~~~

Olavo Marques disse...

Olá talentoso Jaime! Mais um magnífico poema seu que nos faz pensar no que dizemos e no que guardamos para nós. Gostei da forma como brinca com a ideia de “confissão” e da consciência de que nem tudo o que se diz é realmente verdade. Muito bom. Um abraço! 🤗

Sonya Azevedo disse...

Bom dia, poeta. Um poema muito forte e um conselho muito bem dado. Que saibam falar! Aproveito para desculpar-me pela ausência demorada, mas um misto de obras e saúde impossibilitaram-me do convívio por qualquer meio da internet. Aproveito, também, para lhe desejar um ano de muita luz e paz em seus caminhos. Muito grata pelo compartilhamento. Abraços

Fá menor disse...

Ora muito bem! Não é só o poeta que é um fingidor... o político também.

Beijinhos, amigo Jaime! Bom fim-de-semana!

Mário Margaride disse...

Olá, amigo Jaime

Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.

Abraço de amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Isa Sá disse...

A passar por cá para desejar bom fim de semana!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

SOL da Esteva disse...

Excelente grito, Jaime.
Honestidade, precisa-se para que a "verdade" seja verdadeira.
Amei, Amigo sempre oportuno.
Parabéns.


Abraço,
SOL da Esteva

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde JP
Este poema propõe uma leitura irónica e desconfortável da confissão, desmontando-a como exercício de verdade para a expor enquanto estratégia de ocultação.
Com um tom quase didáctico, o texto revela como o discurso sobretudo o político , pode inverter o sentido da revelação: dizer para não dizer, mostrar para esconder.
A força do poema reside nessa lucidez crítica, onde a nudez da alma é encenada e a verdade se fragmenta até se tornar opcional.
Muito oportuno para o momento actual.
Boa semana!
:)

Eros de Passagem disse...

Caro Jaime,
Estava seguro de que já tinha deixado um comentário aqui. Sem ironia, faço minha confissão e aproveito para dizer-lhe que gostei da ironia que desnuda a alma. E da intensidade do poema.
Cai com uma luva para o momento em que se vive na aldeia global e na política.
Um abraço, caro poeta!