Translater

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Se o circo fosse romano… [667]

 


Triste e abatida,

entre as margens do meu rio,

descansa, por ingenuidade,

com o corcel exausto e sem ferraduras,

toda a inquietude verdadeira

de um ser humano,

todos os desassossegos incuráveis

de uma alma esquecida por Deus.

 

Caiu sobre mim

a maldição e a desdita do desencanto,

numa faustosa gala

de prenúncios do descrédito.

Da minha desdita, porém,

não escrevo poemas,

subtraio dela, ainda assim, um gracejo.

 

Porque a criança que há em mim

persiste em não me deixar abater

e observa, com um sorriso traquinas,

a política espetáculo

e ri-se dos palhaços eleitos

e pagos para não haver circo.

 

Se o circo fosse romano, soltava as feras.

 


© Jaime Portela, Maio de 2026


Sem comentários: