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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Maio é um direito [666]

 


A existência não é senão isto.

Não há quem saiba remar e não há ordem a bordo.

Eclipsaram-se os valentes e ficaram

os fanfarrões sem vergonha no comando.

Os discursos são pórticos inúteis,

alfaias partidas, presságios de péssimas colheitas.

Ainda assim,

não há saudade das terras longínquas libertadas,

das sombras que nos espreitavam as falas

nem das prisões arbitrárias

que domesticavam o povo.

Felizmente que os cravos estão vivos

e Maio é um direito e uma voz de quem trabalha.

 

 

© Jaime Portela, Maio de 2026


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