Regras e formalidades
são atributo dileto das fidalguias.
E fidalgo,
não esquecer, é quem jamais se esquece
que nunca está só.
Por isso, assimilemos o fidalgo,
apartemo-lo aos banquetes e às cerimónias
transportando-o para o nosso espírito
e para a nossa compreensão de existirmos.
Então,
ficaremos sempre na nossa presença
em etiquetas e regras,
em meneios e sotaques
calculados para nós e para os outros.
Passaremos a respirar aromas
que flutuam em bamboleios de traças
em fuga à naftalina.
Como elite, temos de ter criadas
a enxugar os alvoroços no avental
para quando recebermos visitas.
Tudo isto é essencial
para cobrarmos elogios de enfisema
que se divertem a rebolar
em cachoeiras de hipocrisia visível.
© Jaime Portela, Setembro de 2026
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