Translater

Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Rio sem margens [001]


o vento empurrou-te para mim
numa réstia de sol matinal
que descobriu mais pombas que pardais
coladas ao teu corpo
de pássaros da chuva miudinha

afoguei-te na orgia
de bulícios de luzes solarengas engoliste
golfadas de murmúrios
de gestos apressados abandonada
no turbilhão de claridades inquietas

despenteei-te com voos rasos de ventos
desenroupados de sombras
abracei-te na passadeira vermelha
com a grandeza de um rio sem margens

guardei-te na memória futura
para que de mim estejam perto impressas
as pombas
os pássaros
e a chuva miudinha
fixadas no cobre do teu corpo de vénus