São as tuas pernas claras
que banham a floresta de luz
quando elas fazem emergir carmim
a súplica acesa
da alma que se agiganta viva.
São os teus seios macios e firmes
que me enfraquecem
na solidez da buzina que destitui,
ruidosa,
o ouvido da razão.
São os teus olhos de núpcias
que me fazem estrebuchar
sem ar na tua boca
e regressar com magia
à Primavera.
São as nossas almas que,
de pardais,
se transformam em pombas,
emplumadas por toques inefáveis
de ossos e carnes, hastes
onde crescem as nossas flores.
© Jaime
Portela, Setembro de 2022