Há quem dance com sereias
ao som chamativo do mar
ou com marujos astutos
cuspidos nas marés do bordel.
Em qualquer caso,
abraçam-se e cantam
na sedução enliçada de sargaços
e deitam-se no areal da volúpia.
Não vem mal ao mundo por isso,
mas ficarão desertos
de tanto ardor sem amor
e serão miragens deslavadas
quando a maré recuar.
Ainda assim, persistem
nos breves clamores do desejo,
mas não pisam o lado de lá
das fronteiras do encanto
que há na inocência,
também impúdica, das paixões
indomadas, verdadeiras.
© Jaime
Portela, Abril de 2023