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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A inútil vala comum da discórdia [650]

 


Nas curvas e contracurvas dos caminhos

há obstáculos desorientadores,

ultrajantes ou corrosivos,

mas resistir à tentação da raiva

e encontrar como retorquir em voz civilizada

é ir mais alto.

 

Desculpas e ruídos projetam-se em diagramas,

indestrutíveis e persistentes,

provocando empecilhos aflitivos,

mas pouco ou nada sucede

quando se deixa maturar a reação

até que a resposta seja elevada.

 

No repositório classificado de absurdo,

a raiva pode ser um guarda-chuva partido,

a dor um leme enguiçado

e o desencanto, carrancudo e escusado,

ficará na escura e funda agonia do porão.

 

Tem perna curta, por isso,

o ditado que diz que

quem não se sente não é filho de boa gente,

já que as emoções

quase nunca são planos infalíveis.

 

Um vestígio de paciência que seja,

ainda que franzino, será uma firme passada

e o suporte para o sucesso

e, para além disso,

evitamos saltar de cabeça

para a inútil vala comum da discórdia.

 

 

© Jaime Portela, Janeiro de 2026


40 comentários:

Ana Bailune disse...

Olká, JAime.
Seu poema, além de muito bonito, diz tudo sobre os tempos em que vivemos. Tempos de intolerância...
Feliz 2026, sem discórdias.

brancas nuvens negras disse...

Um poema que evidencía a sensatez.
Boa semana.
Um abraço.

chica disse...

Paciênscia e boa educação é sempre um boim caminho para encarar tantas discórdias e confusões armadas pelos caminhos! Linda poesia! abraços, chica

" R y k @ r d o " disse...

Todos os caminhos têm obstáculos. Há que saber ultrapassá-los. Poema profundo que muito gostei de ler.
.
Deixo votos de felicidade em seu coração
.

Cláudia disse...

Forte, mas interessante.

Gostei.

Boa semana

silvia de angelis disse...

Questi versi dipingono, con lucidità e misura, la forza della pazienza, e della calma, nel trasformare ostacoli e rabbia in un’agire più alto e consapevole.
Buona settimana

Jaime Portela disse...

Tradução: Esses versículos retratam, com clareza e moderação, o poder da paciência e da calma em transformar obstáculos e raiva em ações mais elevadas e conscientes.
Tenha uma boa semana .

Jovem Jornalista disse...

Palavras de uma profundidade tamanha. Gostei muito.

Boa semana!

O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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Até mais, Emerson Garcia

São disse...

Concordo de todo contigo, mas , por vezes, é muito difícil manter a calma face a disparates completamente sem sentido e/ou a insultos por falta de argumentação.

Meu amigo, forte abraço, boa semana de reflexão para a eleição presidencial.

Graça Pires disse...

A lucidez do seu poema até arrepia e inquieta. è reflexivo e muito inspirador.
Que 2026 seja um ano de paz e muita saúde.
Um beijo.

Lucimar da Silva Moreira disse...

Ter paciência é um ato de inteligência, a paciência é capaz de mudar o rumo de uma situação, Jaime abraços.

Tais Luso de Carvalho disse...

Perfeito, Jaime! São nessas horas é que faltam a educação, um pouco de tolerância e não acharmos que somos os tais e que sabemos de tudo!
Aplausos, amigo, gostei demais, está aí boas atitudes para começarmos um 2026 com mais sabedoria!
Beijo, uma ótima semana.

AMALIA disse...

Muy interesante y buen poema.
Escribes muy bien.
Feliz semana.
Un abrazo.

Lucia disse...

Olá caro Jaime.
Um belo poema meu amigo poeta.
Verdadeiro!
Boa semana pra você.
Beijo!

Mário Margaride disse...

Olá, amigo Jaime.
Sem dúvida, que a tolerância é a mais sensata e racional das atitudes. Não adianta gritarias e constantes confrontações. Há que ter bom senso. Que é o que falta a muito "boa gente".
Gostei bastante deste excelente poema.

Votos de uma boa semana, com tudo de bom.
Abraço de amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Roselia Bezerra disse...

Amigo Jaime, boa noite de Paz!
Se näo tivermos calma, fatalmente vanos nos afundar na Lama da Solidao.
Com paz de espírito, conseguimos atingur metas e patamares altos de edifucação pessoal e coletiva.
Tenha uma nova semana abençoada!
Abraços fraternos

Janita disse...

Ripostar a uma ofensa com voz calma e tranquila, é algo que foge completamente às minhas capacidades apaziguadoras, Jaime.
Prefiro calar-me, mas é raro tal acontecer.
Um poema de cariz didáctico e muito sensato, no apelo à sensatez.
Beijinhos, boa semana

Teresa Isabel SIlva disse...

Um bonito poema, com uma mensagem que nos convida à reflexão!
Aproveito para desejar uma boa semana!

Bjxxx,
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Malania Nashki disse...

Hay "valas" o zanjas que por más angostas que sean, si no se construye un puente, con paciencia, no se podrá cruzar. No solo digo de puentes materiales, sino de persona a persona, puentes de sentimientos.
Muy buen post. Me gustó mucho.
Abrazo enorme.
Besos

Bandys disse...

Olá Jaime,
Um poema profundo e cheio de realidade,
]os tempos exige de nos paciência e tolerância.
Vivas e deixes viver.
Uma noite de paz
bj

J.P. Alexander disse...

Profundo poema. Te mando un beso.

Momentos disse...

Jaime, hermoso poema.
La tolerancia es la actitud racional, hablar con calma hace que nos entendamos mejor.
Un poema para reflexionar.
Es una delicia leerte. que tengas un feliz inicio de semana.
Besos Jaime

Emília Simões disse...

Boa noite Jaime,
Um poema belo e profundo, que tanto diz sobre o mundo atual.
Há que ter rios de paciência e sensatez para suportar tantas "cabeças, cada uma com sua sentença".
Beijinhos e uma boa semana, Amigo Jaime.
Emília

Eros de Passagem disse...

Sensatez e lucidez bem que valem a pena, mesmo que muita vezes não caibam na alma imensa.
Um belo poema para começar o Ano Novo.
Muita paz, caro poeta!
Um abraço,
José Carlos

Pedro Coimbra disse...

Confesso que nos dias que correm é particularmente complicado ter compreensão.
Muito menos dar a outra face.
Abraço, boa semana

TORO SALVAJE disse...

Para evitar discordias, peleas y malentendidos me he ido alejando de todo el mundo.
A mucha gente le gusta discutir.
A mí no.

Saludos.

Marta Vinhais disse...

A intolerância que domina o Mundo...e desafia a paciência...
Beijos e abraços
Marta

ematejoca disse...

Este poema transmite uma ideia de paciência serena como base para o progresso, valorizando o passo gradual e a cautela para evitar conflitos desnecessários. A paciência aqui é descrita como “franzino” mas eficaz, sugerindo que a consistência pequena, sustentada, pode levar ao sucesso. O “suporte para o sucesso” enfatiza a importância de bases estáveis e de uma abordagem disciplinada. A advertência contra “saltarmos de cabeça” para a discórdia destaca a prudência e a gestão de conflitos para manter a harmonia e o foco.

Abraço da amiga de longe que apoia absolutamente este comportamento de quem é educado e tolerante.

Eduardo Medeiros disse...

Muito bem construído teu poema e com temática atual.

Creio que onde haja duas cabeças pensando haverá sempre pensamentos divergentes e a tentação de impor ao outro o que se pensa. A discussão de ideias conflitantes acho saudável. Quando ideias se tornam panfletos ideológicos absolutistas, se dá o primeiro passo para a barbárie.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde JP
Com sobriedade e imagens precisas, o poema reflete sobre a gestão da raiva e das emoções no confronto humano.
Entre metáforas de caminho, naufrágio e queda, o autor defende a elevação da resposta ponderada sobre o impulso imediato, mostrando que a paciência, ainda que frágil é um gesto de lucidez e resistência.
Uma reflexão atual e necessária sobre como evitar a espiral estéril da discórdia.
Boa semana!
:)

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Olinda Melo disse...

Olá, amigo Jaime
Voz civilizada quando as discórdias estalam é o melhor caminho. De nada vale a exaltação, pois é sempre má conselheira.
Um poema que nos mostra que a paciência, por pequena que seja, poderá ser a solução mais viável.
Boa semana, amigo.
Abraço
Olimda

Juvenal Nunes disse...

Perante a discórdia temos que encontrar pontos de contacto comuns ou pelo menos tentar o diálogo, sem o qe nunca passaremos de incómodos impasses.
Continuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes

Olavo Marques disse...

Olá talentoso Jaime. Paciência e uma palavra ponderada elevam mais do que a raiva imediata. Resistir ao impulso é um ato de inteligência e humanidade. Abraço! 🤗

Ana Tapadas disse...

Sou adepta de "pensar e só depois falar"...este poema põe a nu coisas que nos assolam e confundem.
Um abraço e parabéns pela lucidez.

Mário Margaride disse...

Boa noite, amigo Jaime.

Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.
Abraço de amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

SOL da Esteva disse...

Civilizadamente concordo com o teor oportuno e actual deste teu magnífico Poema de intervenção. Nele se inscreve a actualidade tal como a vivemos.
Parabéns, Jaime.


Abraço,
SOL da Esteva

❦ Cléia Fialho ❦ disse...

Ao ler esse poema, sinto que ele nasce de um lugar muito consciente da alma — aquele ponto em que já não se reage por impulso, mas se escolhe, com lucidez, o caminho mais alto. Há uma maturidade serena nos versos, como quem já caminhou bastante entre curvas e contracurvas e aprendeu que nem todo obstáculo merece confronto imediato.

Gosto especialmente de como a raiva, a dor e o desencanto são humanizados sem serem glorificados. Eles existem, pesam, atrapalham… mas não comandam. A imagem da paciência, mesmo franzina, como suporte para o sucesso, é de uma beleza discreta e verdadeira — dessas que só quem viveu conflitos reais consegue escrever.

Este texto me soa como um gesto de autocontenção amorosa, quase um conselho sussurrado a si mesmo e aos outros: escolher a elevação, mesmo quando o chão convida à queda. É poesia que não grita, mas ensina; não acusa, mas ilumina. E talvez por isso seja tão necessária.

ABRAÇOS

Cidália Ferreira disse...

Um poema fabuloso!!
.
O S O N H O... .

Beijo e Bom fim de semana

Catiahô do BlogEspelhando disse...

Jaime,
Só hoje eu percebi a quanto
tempo não venho me encantar
com seus versos. Mas vou
me atualizar.
Eses por exemplo são lindos
e inspiradores.
Bjins de afeto e gratidão.
CatiahôAlc.