Desperta,
ouve como a floresta canta:
os ventos são sussurros de uma orquestra
onde os riachos são violinos
num concerto de perfumes,
do pinho à madressilva.
Desperta,
podes ser um pássaro ou uma estrela
a sobrevoar o arvoredo
e esquecer a corrupção obscena da bolsa
ou a morte que espalham divertidos
os três mosqueteiros assassinos,
Putin, Trump e Netanyahu,
semeada sem dó na Ucrânia, no Irão,
na Faixa de Gaza e no Líbano.
Desperta,
sei que não ouves a floresta
não és um pássaro
e nem as tréguas da Páscoa te salvam,
mas compra uma máscara
porque os fumos tóxicos da guerra
vão chegar à tua garganta
antes que dês um tiro nos bandidos.
© Jaime Portela, Março de 2026
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