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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Vassalos de Deus ou do Diabo [665]

 


Vassalos de Deus ou do Diabo,

cai sobre nós um óleo de rícino

fritando as oportunidades

que se queimam num lago inquinado

como se fossem pétalas fenecidas.

 

Se está calor ou frio,

os caminhos não são os mesmos.

Se juntarmos a chuva e o vento,

aleatórias mudanças são renovadas,

porventura apenas observadas

no âmago do sentir metafísico.

Tudo acontece porque está frio ou calor

ou porque nos cruzámos com alguém.

 

Procuramos o rumo no jogo da vida

como se fôssemos

uma das 22 bolas na mesa de um bilhar,

mais o capricho do giz

nem sempre bem colocado no taco

e pronto para rasgar o pano da lucidez.

 

Não sabemos para onde vamos,

mas chegaremos ao fim

como a bola que entra no buraco,

que jamais daí sairá

porque não haverá nova partida.

 

© Jaime Portela, Abril de 2026


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