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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Greve [671]

 


Que vida temos

quando os outros nos rasgam as vestes?

As fortalezas ficam perigosamente expostas

com os portais escancarados

à mercê de legiões patronais

armadas com as lanças do poder.

As hostes são indisciplinadas, bem sei,

mas ainda há cavaleiros

que sabem fazer tilintar espadas.

A guerra, pacífica, é evidente,

porque não há razão

para aceitar tratados inclinados

para os bolsos dos patrões

e esmolas para dourar

as nuvens negras não compensam.

Na greve,

tudo se resume a resistir ao ataque

para que a exploração mal paga não aumente.

 

 

© Jaime Portela, Junho de 2026


32 comentários:

Cláudia disse...

Sempre verdadeiros e fortes.

Boa semana

Cláudia - eutambemtenhoumblog

Luiz Gomes disse...

Boa tarde meu querido amigo e poeta Jaime. Uma excelente tarde de segunda-feira, um excelente mês de junho e um grande abraço do seu amigo carioca.

Pedro Coimbra disse...

Infelizmente é demasiadas vezes utilizada não como forma de protesto mas como arma de arremesso político.
E assim vai perdendo significado.
Um abraço, boa semana

Emília Simões disse...

Boa tarde Jaime,
Um poema magnífico em que o tema é tratado com mestria.
Nunca os direitos, de que são vítimas os trabalhadores, foram alvo de tantas e cobardes injustiças e faltas de respeito.
O bullying é cada vez maior e falo com conhecimento de causa. Uma vergonha a que infelizmente vamos assistindo, sofrendo, embora tantas vezes camuflado.
Portanto, sim, à greve!
Beijinhos e uma boa semana.
Emília

ematejoca disse...

Enquanto rasgar as próprias vestes era um acto ritualístico controlado, ter as roupas rasgadas por outros simboliza uma total perda de controlo, humilhação e desonra. O poema mantém-se extremamente actual e impactante por vários motivos estruturais e temáticos.
Abraço amigo e tripeiro.

Mário Margaride disse...

Estamos a viver tempos difíceis, complexos, onde o poder está cada vez mais inclinado para a direita. A prova disso mesmo, está nesta proposta da legislação laboral. Por isso mesmo, faz sentido este grito dos trabalhadores nesta greve geral.
Muito oportuno poema, amigo Jaime.
Gostei bastante.

Abraço amigo e boa semana!

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com

Modrina Neba - Blue Sky disse...

Há cada vez mais exploração em todo o lado, é difícil de suportar e de assistir, mas fui e continuo a ser optimista.
Continua a ter um bom dia... beijo!

Bandys disse...

Olá Jaime,
Muito bem escrito. Estamos vivendo tempos difíceis,
o que nos resta é ter fé em Deus.
Beijos

AMALIA disse...

Lo has reflejado muy bien!.
Tus letras son brillantes y excelentes.
Te deseo un mes de Junio muy feliz.
Un abrazo.

brancas nuvens negras disse...

Eu apoio a Greve Geral pela dignidade no trabalho para os meus filhos e netos. Sei de onde vim e por isso sei para onde vou.
Um abraço.

Cidália Ferreira disse...

Um poema muito poderoso!!
-
Coisas de uma vida....
-
Beijos e uma excelente semana.

Lucia disse...

"Que vida temos quando os outros nos rasgam as vestes?"
Vida alguma...
Muito bom amigo poeta.
Lutar pelos direitos, dentro da civilidade.
Boa semana.
Beijo!

J.P. Alexander disse...

Lindo poema. Te mando un beso.

TORO SALVAJE disse...

Basta ya de explotación de los trabajadores... los ricos cada vez más ricos y los trabajadores cada vez más pobres.

Isa Sá disse...

Espero que saiam vencedores os que tentam resisistir aos ataques.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Marta Vinhais disse...

Um tempo complicado, caótico...
Beijos e abraços
Marta

Lucimar da Silva Moreira disse...

Jaime bom dia, a greve serve para resistir à exploração e impedir que as condições de trabalho piorem, um belo poema, desejo uma ótima terça-feira abraços.

São disse...

Que a greve geral de amanhã seja clamorosa!

A AD está disposta a tirar todos os direitos a quem trabalha e a destruir o SNS.


Parabéns pelo excelente poema, meu amigo, feliz Junho.

Tais Luso de Carvalho disse...

Muito lindo, Jaime, necessário e verdadeiro esse grito coletivo através das greves, é a maneira mais impactante, mais democrática do povo se manifestar, dizer sim ou não àqueles donos absoluto do poder. Reivindicar o que lhe é de direito!
Aplausos sempre!
Uma feliz semana,
um beijo, amigo.

Teresa Isabel SIlva disse...

Palavras certeiras!

Bjxxx,
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Os olhares da Gracinha! disse...

Convém que os direitos não sejam esquecidos!!! 👏😘

Juvenal Nunes disse...

O pacote laboral continua a dar muito que falar.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes

Silent Movie - ©Theda Bara disse...

Humanity has gone on strike regarding its most precious values, which have nothing to do with money.
(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.

Graça Pires disse...

"Na greve,
tudo se resume a resistir ao ataque
para que a exploração mal paga não aumente.". Só posso estar de acordo, meu Amigo Jaime.
Tudo de bom.
Um beijo.

❦ Cléia Fialho ❦ disse...

Teu poema é um grito lúcido e necessário, desses que não apenas se leem… sentem-se ecoando no peito.
Há uma força imagética muito marcante na forma como transformaste a luta trabalhista em cenário medieval de batalha — “lanças do poder”, “cavaleiros”, “espadas” — criando uma metáfora intensa para falar da desigualdade e da resistência humana.

Gostei especialmente da maneira como a indignação aparece sem perder o tom poético.
Existe crítica social, mas também consciência coletiva, coragem e dignidade.
O verso “A guerra, pacífica, é evidente” carrega uma profundidade admirável, porque revela o paradoxo da greve: uma batalha travada sem armas de sangue, mas cheia de feridas invisíveis.

Também achei muito forte “esmolas para dourar / as nuvens negras não compensam”.
É uma imagem belíssima e amarga ao mesmo tempo, mostrando que pequenos favores jamais apagam injustiças estruturais.

Teu texto possui cadência firme, quase como um manifesto lírico, e termina com uma verdade seca e poderosa: resistir para sobreviver.
Poesia social feita com inteligência, simbolismo e coragem.

(Estou meia sumida, pois estou tratando uns problemas de diabetes.)

GRANDE ABRAÇO, QUERIDO!

Garfield disse...

Desde o início, os empregadores têm pago salários baixos aos seus funcionários. As greves interrompem esse ciclo, mas pouco contribuem para a negociação coletiva.

Nova Tirinha Publicada. 😼

Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.

Pedro Luso de Carvalho disse...

Olá, amigo Jaime, o tema do seu poema é muito atual
e foi criado com excelência.
Seu poema diz muito sobre a estupidez das guerras, que
estão sempre nos rondando.
Votos de um ótimo final de semana,
Grande abraço.

Maria Rodrigues disse...

Pertinente e brilhante poema.
Assino por baixo.
Abraços

Tais Luso de Carvalho disse...

Oi, meu amigo, vim ver as 'novidades',
fiz uma boa leitura novamente nesse belo poema!
Um feliz fim de semana!
Beijo.

SOL da Esteva disse...

Greve como arma? Já não! Apenas servem quem dela beneficia no seu imediato.
Poema actual, perfeito no sentido, real.
Intervenção como só quem tem sensibilidade e entendimento.
Parabéns, Jaime por mais esta preciosidade Poética.

Abraço,
SOL da Esteva

lis disse...

Um poema nada fictício como é mais comum entre os poetas rs
Bem verdadeiro bem surreal esse descontrole que gera conflitos por todos os países .Aqui com o G7 na França prometendo trazer manifestações para Genebra com quebradeiras como se resolvesse, Enfim, seu poema chega em hora certa., a refletir e na espera que o mundo se pacifique !
Meu abraço, Jaime e sigamos !

Mário Margaride disse...

Olá, amigo Jaime, passando por aqui, para desejar um feliz fim de semana, com tudo de bom.

Abraço de amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com