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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Um desprazer no verão [673]

 


No claro prazer da vida,

paralisa-nos, porém, a brisa repleta de sol.

Não é a tensão moderna

da estival gritaria adivinhada

ou o desassossego dos corpos mecânicos,

vazio fosco do éter anil real.

É a inércia percetível

da sugestão da indolência,

penacho tocando brando

o corpo entorpecido, transpirado.

Mas há um desprazer no verão:

apetece a água da praia mesmo a quem,

de tantos veraneantes, a detesta,

por não descobrir areia para a toalha

enquanto o mar se espreguiça à vontade

ao som do paraíso dos búzios.

 

© Jaime Portela, Junho de 2026


41 comentários:

Olinda Melo disse...

Bom dia, Jaime
Tanta areia, tanta areia e, no entanto, para a toalha
rareia. Praias públicas de menos e quase privadas em barda.
Que tenha uma semana óptima.
Beijinhos
Olinda

Pedro Coimbra disse...

O que mais me irritava em algumas praias - não havia espaço sequer para estender uma toalha.
Assim não dá para relaxar.
Abraço, boa semana

Emília Simões disse...

Bom dia Amigo Jaime,
Um poema magnífico em que as suas belas metáforas traduzem na perfeição o que se passa com quem busca o prazer do sol, na praia, onde corpos suados se estendem no espaço que o mar deixa livre, ou simplesmente mergulham no mar da ilusão.
Beijinhos e uma ótima semana.
Emília

MELODY JACOB disse...

Your poem beautifully captures that exact, frustrating contradiction of a peak summer day where the desire to relax meets the reality of a crowded beach. That vivid image of not being able to find a single patch of open sand for a towel while the ocean just stretches out effortlessly is something so many of us can relate to. You described that heavy, sweaty inertia perfectly, shifting from the peaceful idea of summer to the actual, crowded chaos of vacation season. It is a wonderful piece of writing that definitely makes me look at a beach trip in a whole new light!

chica disse...

Lindo poema do mar e suas belas areias( ainda mais quando não cheias de toalhas,rs)
abraços, ótima semana, chiuca

Cláudia disse...

Eu adoro praia, mas não gosto da areia :P
E de praia a abarrotar, ainda menos :)
Cláudia - eutambemtenhoumblog

São disse...

E cada vez será pior , pois começam a aparecer as praias privadas...

Abraço, meu amigo, boa semana.

Luiz Gomes disse...

Boa tarde meu querido amigo Jaime. Parabéns pelo lindo poema. Aqui no Brasil, no verão carioca, literalmente não tem quase espaço nas areias, nas praias da cidade do Rio de Janeiro, pela quantidade de pessoas. Uma excelente segunda-feira e um grande abraço do seu amigo carioca.

Jaime Portela disse...

Tradução: Seu poema captura lindamente aquela contradição frustrante de um dia de verão em pleno auge, quando o desejo de relaxar se depara com a realidade de uma praia lotada. Aquela imagem vívida de não conseguir encontrar um único pedaço de areia livre para estender a toalha enquanto o oceano se estende sem esforço é algo com que muitos de nós podemos nos identificar. Você descreveu essa inércia pesada e suada com perfeição, transitando da ideia pacífica do verão para o caos real e lotado da temporada de férias. É um texto maravilhoso que definitivamente me faz ver uma viagem à praia sob uma nova perspetiva!

Modrina Neba - Blue Sky disse...

O verão ainda não começou bem, mas eu não preciso dele... não gosto de calor e abafamento, mal posso esperar pelo outono... que seja ensolarado, mas não mais de 30º :(((
Abraço e beijo, Andreja!

ematejoca disse...

É fascinante como as palavras têm o poder de evocar sons e sensações de forma tão nítida. O mar, os búzios e o eco do oceano são imagens poéticas poderosas que tocam os meus sentidos.

Bom tempo de verão, sem desprazeres.

AMALIA disse...

Un estupendo y realista poema!.
Muy bueno.
Te deseo una semana muy feliz.
Un abrazo.

Garfield disse...

Por isso prefiro piscinas, e se possível, sem água dentro. rsrsrsrs

Nova Tirinha Publicada. 😼

Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.

Mário Margaride disse...

Poema muito interessante, amigo Jaime.
Onde desnuda a enorme confusão das praias portuguesas. Onde a multidão se atropela para ter um lugar ao sol.

Gostei bastante. Parabéns!

Grande abraço e feliz semana!

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Ana Tapadas disse...

Poema com a brisa do mar, com evocações maravilhosas, porém...esse turismo de areia é mesmo assim e irá piorar, certamente.
Gosto do mar, da beira mar, mas de praia nem tanto.
Um beijo, meu amigo.

Marta Vinhais disse...

Devo confessar que a praia cansa-me...e no entanto, adoro o Mar..
Por isso, vou de manhã muito cedo e volto quando chegam os outros...
Beijos e abraços
Marta

Lucimar da Silva Moreira disse...

Seu poema transmite muito bem a dualidade do verão, adoro praia, Jaime desejo uma ótima semana abraços.

Daniela Silva disse...

Gostei muito desta forma de olhar para o verão sem o idealizar. Há beleza, calor e desejo de mar, mas também esse lado menos confortável que tantas vezes ignoramos. A imagem da praia cheia e da procura por um espaço na areia é algo com que muita gente se identifica. Um poema que faz sentir o verão para lá dos postais perfeitos.

Beijinho na alma,
Daniela Silva | Alma Leve

Lucia disse...

Olá caro Jaime
Todo verão tem os seus problemas, mas eu particularmente adoro esta estação. O poema mostra bem essa dualidade, por um lado, o calor, a preguiça e as praias cheias; por outro, o fascínio que o mar e o ambiente de verão continuam a exercer sobre nós. Gostei especialmente da forma como transmite sensações tão familiares e fáceis de reconhecer.
Boa semana amigo poeta.
Beijo!

Roselia Bezerra disse...

Amigo Jaime, boa noite de paz!
Adoro o verão.
A saúde fica em alta.
Tudo é mais leve.
Pena que as altas temperaturas nos fazem sofrer.
Tenha dias novos abençoados!
Beijinhos fraternos

Duarte disse...

Uma realidade que me trava hoje na ida à praia. Bons tempos aqueles na de Matosinhos, de Leça ou de Angeiras, mesmo no Carrêço, já na tua zona, cuja paz admirando esse mar imenso ficou desvanecida.

REENCONTRO COM O ATLÂNTICO

O reencontro com o Atlântico
Foi como um choque emocional profundo,
Veio com atitude felina a beijar os meus pés,
Fazendo-me sentir esse frio húmido
Que chega até aos ossos
E o arrepio que provoca tal sensação.
O sussurro das ondas
Parecia querer exclamar,
Voltaste, não irás embora!
Entretanto as gaivotas, a dezenas,
Revoluteavam à minha volta
Numa dança de boas-vindas,
Na composição desse quadro,
Para mim tão familiar
E sumamente maravilhoso,
De movimentos rítmicos e harmoniosos,
Com voos caprichosos
Dos que deleitam os sentidos.
O Sol seguia alto, fazia calor,
A suave maresia do noroeste
Atenuava a força dos raios solares
E uma agradável sensação de bem-estar
Invadiu todo o meu ser.
A trilogia, Oceano, areia, gaivotas.
Fez com que este corpo tão diminuto,
Comparado com a grandiosidade do entorno,
Crescesse, como a maré alta,
Pelas vibrações percebidas
Dum passado, longínquo,
Que o engrandeceram.

Forte abraço

J.P. Alexander disse...

Me gusto tu poema. Te mando un beso.

TORO SALVAJE disse...

Antes iba a la playa.
Ya no voy.
La dejo para los demás, para que disfruten de estar achicharrados por el sol, picados por las medusas, apretujados como sardinas en lata y criando melanomas y carcinomas para el futuro.

Isa Sá disse...

Há praias que nem vale a pena ir no verão, tal é o amontoado de gente.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Os olhares da Gracinha! disse...

Gosto da água... dispenso o areal ☺️
👏👏👏😘

Graça Pires disse...

A areia chega para todas as toalhas. É preciso haver boa vontade. Poema muito oportuno, meu amigo Jaime.~
Um beijo.

Eros de Passagem disse...

A captura da dualidade do verão: a indolência sob o sol contraposta ao incômodo do turismo de massa, ou seja, a natureza livre versus o homem sufocado. O mar, no entanto, mantém-se intacto; nele, a água parece se 'espreguiçar à vontade ao som do paraíso dos búzios'. Em contraste, o ser humano mal encontra espaço na areia.
Um abraço, caro poeta!

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde JP
Este poema retrata o verão para além da sua habitual imagem de prazer e liberdade.
Entre a languidez provocada pelo calor e a contemplação de um mar quase paradisíaco, surge um subtil contraste: o desprazer de partilhar a praia com a multidão.
Com linguagem rica em imagens sensoriais, o poeta conduz-nos da indolência estival à ironia final, mostrando que até os cenários mais idílicos podem esconder pequenas contrariedades.
Bem "Apanhado"
Boa semana com saúde e paz.
:)

Silent Movie - ©Theda Bara disse...

The beaches in the United States are very clean and we rarely find seashells. However, our beaches are paid for, as is everything else in our country; here, the only free thing is the air we breathe.
(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.
💋Kisses💋 ©Theda Bara.

lis disse...

O verão é sol é mar é sal é alegria . E ,para todos !
De manhãzinha ir a praia e ver o mar indo e vindo ,indiferente ao desconforto ,compensa qualquer desprazer, Jaime.
Protetor solar, óculos de sol e vamos 'a la playa '... , como na música italiana e tudo fica perfeito !! Grande abraço, amigo.

VILMA ORZARI PIVA disse...

Boa noite, amigo Jaime,
Que belo poema trazendo o desconforto de uma praia lotada sem ter um lugar para se estender a toalha. Seus versos nos coloca de frente para esse problema que já vivi pelas praias do meu Brasil. E enquanto se disputa um lugarzinho na areia o mar se espreguiça languidamente. ,,,,,Que lindo ler essa imagem comparativa as dificuldades na areia.
Parabéns pela linda poesia. Gostei!!
Tenha uma ótima semana.
Beijos!

brancas nuvens negras disse...

O verão tem os seus incómodos mas... o inverno também.
Boa semana.
Um abraço.

BeatriceMar disse...

Parece-me que o poema vive precisamente desse contraste entre o encanto do verão e os seus incómodos, tratado com delicadeza e uma certa elegância bem-humorada...

Adriana Helena disse...

As praias lotadas também me causam bastante aflição e tudo isso foi passado com muito esmero em sua bela poesia Jaime.
A areia quente sobrecarregada de toalhas vira um gigante tapete humano que encobre as brechas da liberdade...
Tenha uma semana maravilhosa!! :))))

Maria Rodrigues disse...

Não aprecio quando está muito calor. Gosto do mar e da praia fora da época balnear. Confusão já não é para mim.
Um poema lindo e bem apropriado para o calor que se diz vir aí.
Um grande abraço

Larissa Pereira dos Santos disse...

Olá Jaime
Belo tema para uma linda poesia, o mar!
Linda sua poesia..
Um abraço.

rosa-branca disse...

Meu amigo, o teu poema é um vem mesmo a calhar com este calor. Adoro o mar e embora viva perto dele, não tenho paciência para andar à procura onde estender a toalha ou onde pôr os pés sem pisar alguém. Prefiro ir beber um café com amigas ou ler um livro ou até fazer uma caminhada. Amigo Jaime, boa semana e beijos com carinho

SOL da Esteva disse...

As verdades dizem-se com propriedade, Jaime.
Se não fora o mar a chamar, quem quereria sentir-se como mais um grão de areia no areal?
Amei a oportunidade de gritar.


Abraço,
SOL da Esteva

Mário Margaride disse...

Olá, amigo Jaime.
Passando por aqui, para desejar um feliz fim de semana, com tudo de bom.

Abraço de amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Giancarlo disse...

❤️

Isa Sá disse...

A passar por cá, hoje, para desejar uma ótima semana!
Isabel Sá
Brilhos da Moda