Se me querem doutrinar
e acham que devo abraçar
uma religião,
fiquem descansados, já a
abracei.
Mas apenas com a carne e
com os ossos
que a terra ou o fogo hão
de comer
é que sou religioso,
e portanto pecador…
Sem vontade de a
entender,
vivo no desejo
persistente
de sentir essa
religiosidade
e não de acerca dela
meditar.
Versejo almas sem saber o
que elas são
porque a minha não a sei.
Se o soubesse, talvez
fosse um santo
e nem sequer escrevesse
um poema.
Essa é a minha religião,
peco a vida num deserto
engarrafado
a encher o copo com as
miragens
das almas de outros
corpos,
num corpo a corpo sentido
onde as tento despir,
para as ver, sem jamais o
conseguir.
Jaime Portela