Na
ausência, moves-te inquieta
como
se não andasses feliz
e como
se eu, apesar do risco da irrelevância,
nunca
tivesse portas de amor floridas
a
preencher o nosso afastamento.
Vem,
existe a cor
a
palpitar no vazio que te precede
e os
teus olhos são um espaço remoto,
onde
a manhã reconstrói
o
seu hálito de claridade.
Sei
que virás dos lábios da alvorada
ou
da nascente de ti, para acordar
a
chama que nunca se apagou
e
acariciar a sede do tempo que morreu.
Virás,
porque o temor de te perder
é
uma tenaz que aperta as minhas têmporas
e se
estilhaça, depois,
num
horizonte sombrio por onde te moves,
inquieta, como se não andasses feliz.
Jaime Portela, Setembro de.2021
