O
poema, quando é poema
[como o dissecar da vida ou da morte
e de
outros variados pretextos]
forja
a reconstrução da realidade
para
apurar a claridade das coisas.
O
poema, quando é poema,
vê o
amor, rutilante, a tecer hálitos de sol
nos
ditames selvagens das palavras
ou na demora sombria das madrugadas.
O
poema, quando é poema,
é um
desafio, gritante, à bem-aventurança
que
há no sair do abismo
ou à
liberdade que existe
na
firmeza de deixar o que não vem.
O
poema, quando é poema,
nunca
é um tiro de chumbo disperso,
a
contento, inútil e comezinho,
é
uma arma de bala real, de senso letal,
para
atingir e marcar o pensamento.
© Jaime
Portela, Janeiro de 2022