Agarramo-nos à vida e não queremos a morte
e procuramos algo que cintila
no íntimo do desejo
como um tesouro de paz a flutuar
num céu onde não sabemos chegar.
É o fardo e o dissabor
do mundo que vemos e não vemos,
num firmamento embandeirado
de armas visíveis a olho nu
e na multidão de notícias
que vão enfraquecendo pela repetição,
de onde o minguante da pacificação
assoma como a candura estática da lua,
distante e apática.
E é assim que sentimos
a ausência de um Deus que nos valha
e nos liberte desta subsistência de guerra,
um Todo-Poderoso,
porventura distraído,
na imensidão de um céu incomunicável,
enquanto continuamos encarcerados numa prisão,
sem dela, nem Dele, podermos fugir.
© Jaime Portela, Maio de 2025