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segunda-feira, 6 de abril de 2026

O vinho brando da languidez suave [662]

 


O vinho brando da languidez suave,

como um aconchego frágil,

entranhado e congelado

pelas dificuldades estrada fora

e desmaiado nas fontes

divorciadas dos olhos parados,

é venerado pelo povo

como um servo a um tirano subjugado.

 

Invade-o um ocioso saber agitado

em que, feito médium,

pressente aparições,

retorce cotovelos de conceitos

e que, no meio de emoções alternadas,

julgando-se certo,

se desarruma embaralhado.

 

 

Pensar e ajuizar,

misturam-se até se tornarem

numa desventurosa e convicta amálgama

de credos e sentimentos,

em que os factos e as perceções,

de tão confusos, ficam iguais

como água misturada no vinho,

uma zurrapa que, só de cheirar,

já dá voltas ao estômago.

 

© Jaime Portela, Abril de 2026


41 comentários:

Janita disse...

E por causas desses efeitos nocivos e embriagadores, que todos os anos há dezenas de mortes na estrada...

Boa semana, Jaime.
Um abraço

Luiz Gomes disse...

Bom dia meu querido amigo Jaime. Passando para desejar uma excelente segunda-feira, para você e todos os seus familiares em Portugal. Grande abraço do seu amigo brasileiro.

Roselia Bezerra disse...

Amigo Jaime, boa segunda pascal!
Que credos e sentimentos não interrompam relacionamentos sadios!
Tenha uma nova semana abençoada!
Abraços fraternos

silvia de angelis disse...

I versi descrivono la degradazione del pensiero che, abbandonandosi a una pigra ebbrezza, smarrisce ogni lucidità e trasforma il giudizio in un miscuglio torbido e indigesto di pregiudizi.
Un caro saluto

Mário Margaride disse...

Infelizmente, é o que mais se vê por essas estradas fora. Pessoas sem o mínimo de responsabilidade com o volante nas mãos.
Excelente e oportuno poema, que muito gostei.

Abraço amigo, e boa semana!

Mário Margaride

AMALIA disse...

Como siempre, nos dejas un excelente poema.
Te deseo una semana muy feliz.
Un abrazo.

Gil disse...

Tu poema expone cómo la mente humana mezcla sentimientos, creencias y percepciones hasta perder la claridad de la realidad. Así lo percibo. Me gustó mucho. Un abrazo, Jaime

Jaime Portela disse...

Tradução: Os versos descrevem a degradação do pensamento que, entregando-se a uma intoxicação preguiçosa, perde toda a clareza e transforma o juízo numa mistura turva e indigesta de preconceitos.
Atenciosamente.

Marisa Alonso Santamaría disse...

La mezcla de emociones muchas veces nos confunden...
Un abrazo, Jaime.
Feliz día

RÔ - MEU DIÁRIO disse...

Que maravilha, poeta! Estou tocada, obrigada.

Adriana Helena disse...

Um poema de grande percepção, um chamado público relatando sobre as maledicëncias da bebida e o quanto são nocivas...
Podemos interpretar de várias formas!!
Obrigada Jaime, maravilhosa semana!!!

ematejoca disse...

Voz crítica que acusa um saber ocioso e sensível a aparições, confundindo conceitos e emoções. Processos mentais embaralhados, tentativa de julgar e decidir, resultando em desarranjo. Conflito entre pensamento | acção e percepção dos factos; água no vinho metaforiza confusão e intolerância sensorial. Tema central: a fusão | desintegração de credos e sentimentos diante de uma realidade confusa e desorientada.

Um grande abraço virtual e sem calorias, desejando-lhe um semana excelente.

Lucimar da Silva Moreira disse...

O vinho muitas vezes deixa o estado de confusão mental e emocional das pessoas, e ,acaba se perdendo entre pensamentos, Jaime feliz semana abraços.

J.P. Alexander disse...

Profundo poema. De una realidad muy dura. Te mando un beso.

brancas nuvens negras disse...

Um poema construído de metáfora em metáfora. Cheio de significado.
Boa semana.
Um abraço.

Lucia disse...

Olá caro Jaime.
Um belo poema, amigo poeta.
Boa noite e suave semana.
Beijo!

TORO SALVAJE disse...

Cada vez hay más amalgamas desafortunadas de ese tipo.
Hay que protegerse.
Saludos.

Marta Vinhais disse...

E a verdade perde-se no meio de tantos rumores...que ficam entranhados e é complicado deslindar qual é a verdade e qual a mentira.
Beijos e abraços
Marta

Pedro Coimbra disse...

Só nos andam a servir zurrapa fedorenta.
Quem é que pode gostar de vinhos russos, americanos, israelitas?
Abraço

Eduardo Medeiros disse...

O título do poema já é um achado!

Temos todos bebido esse vinho meio aguado sem muitas vezes nem perceber. O sabor está ficando familiar e corriqueiro.

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema que vim cá conhcer.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Emília Simões disse...

Boa tarde Jaime,
Magnífico poema em que as metáforas falam mais alto!
"O poema fala-nos da confusão entre pensamento e emoção, mostrando como isso pode levar a erros e ilusões. A imagem final do vinho estragado resume bem essa ideia: quando não há clareza, tudo se torna desordenado e difícil de compreender".
Hoje foi-me difícil resumir. Li e reli várias vezes!
Um beijinho, amigo, e uma boa semana.
Emília

Teresa Isabel SIlva disse...

Muito bom esse poema! Mais uma vez os meus parabéns!

Bjxxx,
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Silent Movie - ©Theda Bara disse...

The smoother the wine, the more intoxicating it is.
(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.

Os olhares da Gracinha! disse...

O vinho tem tanto de delicioso como nefasto!... 👏😘

Meulen disse...

Los sentimientos desordenados de hoy, obedece más que a la comodidad, la flojera
de razonar con alturas de miras...

Saludos.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde JP
Este poema apresenta uma linguagem densa e imagética, onde a metáfora do vinho serve de fio condutor para explorar estados de confusão interior e fragilidade humana.
Há uma sensação constante de tensão entre lucidez e desordem, como se o pensamento e a emoção se entrelaçassem de forma inevitavelmente caótica.
Ainda que a mensagem não se revele de forma imediata, o texto convida a uma leitura sensorial e reflexiva, deixando no leitor uma impressão inquietante e, ao mesmo tempo, curiosamente envolvente.
:)

São disse...

Todo o cuidado é pouco nas épocas festivas...

Caro Jaime, abraço grato e feliz Abril !

lis disse...

Gosto do tinto Jaime, suave mas nenhum desânimo depois... rs
_ entre o desmaiado e êxtase fico com êxtase e a doçura.
Um poema metafórico que pode abater ou emocionar - depende de quantas taças tomar. Resta-me refletir ,amigo
Um bom abraço, querido Jaime , cuidemo-nos ,ajuizemo-nos !

Olavo Marques disse...

Talentoso Jaime, que poema! Formidável como descreveu a confusão entre pensamentos e emoções de forma muito intensa e vívida. Uma leitura faz refletir profundamente. Abraço e bom fim de semana! 🤗

Isa Sá disse...

A passar por cá, hoje, para desejar bom fim-de-semana!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Maria Rodrigues disse...

O pensamento desorganizado leva à perda de clareza entre factos e percepções.
Profundo e sentido poema.
Beijos

Duarte disse...

Jaime, aquilo que expressas em verso dá-lhe aquela força que a palavra tem.
Cada coisa combina com o que é. O vinho é vinho e a água aquele elemento natural com outro fim.
Os meus avós tinhas aquelas videiras que davam vinho americano, suave, mas sem abusar.
Grande abraço

Luísa Fernandes disse...

Olá Jaime!
Um belo poema e interessante, muito bem medido, pode ser bom ou pode ser mau. Dependendo da quantidade e qualidade. Gostei da descricão, mas cuidado nada de embrieguês. Abraço amigo!
Poemasdaminhalma.blogspot.com

Juvenal Nunes disse...

Na vida temos que separar o trigo do joio e não misturar as águas.
Bom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes

SOL da Esteva disse...

Excelente!
O que se vê e como vemos, parece um apontar de dedo que não é suficiente. Haja educação bastante para que as consciências despertam para um caminho salutar.
Grande Poema, Jaime. Parabéns.


Abraço,
SOL da Esteva

Olinda Melo disse...

Olá, Jaime
Bom sábado e que o dia lhe traga muitas alegrias.
Vinho é vinho e água é água. Cada um com a sua
função. Se quisermos ficar ébrios e baralhados já
se sabe, vai uma pinguinha.
A água fonte de vida. Tenhamos sempre essa noção.
Abraços
Olinda

Mário Margaride disse...

Olá, amigo Jaime.
Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.
Abraço de amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Lady aux Secrets de Minuit disse...

Bonjour Jaime,

Ton poème explore avec force les méandres de l’esprit, et l’on y devine aussi une quête de clarté derrière le trouble.
Au cœur de cette intensité, tes images portent une richesse qui invite à dépasser la confusion pour retrouver une forme d’équilibre.
C’est cette profondeur, à la fois lucide et sensible, qui donne à ton texte toute sa valeur.

Bon dimanche cher poète , respectueusement.
Veronique

Ana Tapadas disse...

Perder a lucidez pode ser um desastre imenso...
Um abraço, meu amigo.

Eros de Passagem disse...

Um sugestiva crítica à alienação e à perda da razão, onde a confusão mental (embriaguez) é vista como um refúgio venerado, apesar de ser desorientadora e prejudicial.
O poema na sua inteireza é uma bela metáfora à languidez que paralisa e submete o indivíduo, misturando sentimentos.
Um grande abraço, caro poeta!