Por vezes,
converso comigo
nas noites apuradas da fantasia,
em palestras relaxadas de lusco-fuscos
com auditórios hipotéticos.
E questiono-me:
qual a razão dos cientistas
não terem vontade de explorar
matérias inexistentes,
tal como fazem os políticos?
A ética apenas existe
porque é uma invenção dos puritanos?
A realidade encerra-se apenas
naquilo que é orgânico
ou conseguimos ver a alma
numa escultura?
A alma precisa de vida?
Ou é a vida que precisa de alma?
A serenidade,
a inteligência contemplativa,
a discrição, a tranquilidade,
o mistério, a ambiguidade,
a moderação emocional,
poderá ser o retrato
da alma da Mona Lisa?
© Jaime Portela, Agosto de 2026
6 comentários:
A alma é algo que anda distante destes autómatos em figura humana que nos apresentam todos os dias.
Um abraço, boa semana
Linda poesia e o enigmático sorriso da Mona Lisa não sabemos. o motivo
abraços, linda semana, chica..
Me gusta mucho :)
Boa tarde meu querido amigo português e poeta Jaime. Obrigado pela visita e comentário. A serenidade é a melhor, parte que eu gostei do seu texto. Uma excelente tarde de segunda-feira, para você e todos os seus familiares em Portugal e um grande abraço do seu amigo carioca.
Bom dia, caro Jaime, lembrando-me de sua regra de postagem às segundas. Uma poesia magnífica. Creio que qualquer obra de arte traz a alma do seu autor. Ao elaborá-la o autor vai deixando um pedacinho de si. Por isso, há sempre uma pontinha de ciúme entre o autor e sua obra. Muita luz e paz. Uma ótima semana. Abs
É fascinante como o silêncio da noite e o lusco-fusco convidam a mente a desarmar-se, transformando a solidão num auditório de grandes debates filosóficos. As suas perguntas tocam em feridas profundas da ciência, da moral, da arte e da existência.
Abraço ainda das margens de rio Reno que enfrenta actualmente uma seca histórica severa.
Enviar um comentário