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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O retrato da alma da Mona Lisa [681]

 


Por vezes,

converso comigo

nas noites apuradas da fantasia,

em palestras relaxadas de lusco-fuscos

com auditórios hipotéticos.

 

E questiono-me:

qual a razão dos cientistas

não terem vontade de explorar

matérias inexistentes,

tal como fazem os políticos?

A ética apenas existe

porque é uma invenção dos puritanos?

 

A realidade encerra-se apenas

naquilo que é orgânico

ou conseguimos ver a alma

numa escultura?

A alma precisa de vida?

Ou é a vida que precisa de alma?

 

A serenidade,

a inteligência contemplativa,

a discrição, a tranquilidade,

o mistério, a ambiguidade,

a moderação emocional,

poderá ser o retrato

da alma da Mona Lisa?

 

© Jaime Portela, Agosto de 2026


6 comentários:

Pedro Coimbra disse...

A alma é algo que anda distante destes autómatos em figura humana que nos apresentam todos os dias.
Um abraço, boa semana

chica disse...

Linda poesia e o enigmático sorriso da Mona Lisa não sabemos. o motivo
abraços, linda semana, chica..

Kinga K. disse...

Me gusta mucho :)

Luiz Gomes disse...

Boa tarde meu querido amigo português e poeta Jaime. Obrigado pela visita e comentário. A serenidade é a melhor, parte que eu gostei do seu texto. Uma excelente tarde de segunda-feira, para você e todos os seus familiares em Portugal e um grande abraço do seu amigo carioca.

Sonya Muylaer disse...

Bom dia, caro Jaime, lembrando-me de sua regra de postagem às segundas. Uma poesia magnífica. Creio que qualquer obra de arte traz a alma do seu autor. Ao elaborá-la o autor vai deixando um pedacinho de si. Por isso, há sempre uma pontinha de ciúme entre o autor e sua obra. Muita luz e paz. Uma ótima semana. Abs

ematejoca disse...

É fascinante como o silêncio da noite e o lusco-fusco convidam a mente a desarmar-se, transformando a solidão num auditório de grandes debates filosóficos. As suas perguntas tocam em feridas profundas da ciência, da moral, da arte e da existência.

Abraço ainda das margens de rio Reno que enfrenta actualmente uma seca histórica severa.