Monitor ligado diante dos olhos
onde os horizontes se podem sonhar
por entre os lançamentos de faturas.
A graçola frequente e inútil de um colega
que descompõe todo o mundo
e leva repetidamente ao engano.
Na ponderação do intervalo mais insexual
de uma dissertação estética e mental,
toca o telemóvel do chefe.
Pelo tom da sua voz,
e porque se deslocou para o gabinete
em prudências de escaravelho,
há sexo no ar: é a sua amante.
A esposa chega na ocasião imprópria
e instala-se uma desarrumação de morcegos
que a caverna produz
para os licenciar à noite e não a meio da
tarde.
Ela entra de rompante no gabinete
e ouve-se o chefe dizer
uma das frases encriptadas do costume:
Fica então combinado,
pagaremos tudo na próxima semana.
Os morcegos voltam para a caverna.
© Jaime Portela, Setembro de 2026