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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Desarrumação de morcegos [687]

 


Monitor ligado diante dos olhos

onde os horizontes se podem sonhar

por entre os lançamentos de faturas.

 

A graçola frequente e inútil de um colega

que descompõe todo o mundo

e leva repetidamente ao engano.

 

Na ponderação do intervalo mais insexual

de uma dissertação estética e mental,

toca o telemóvel do chefe.

 

Pelo tom da sua voz,

e porque se deslocou para o gabinete

em prudências de escaravelho,

há sexo no ar: é a sua amante.

 

A esposa chega na ocasião imprópria

e instala-se uma desarrumação de morcegos

que a caverna produz

para os licenciar à noite e não a meio da tarde.

 

Ela entra de rompante no gabinete

e ouve-se o chefe dizer

uma das frases encriptadas do costume:

Fica então combinado,

pagaremos tudo na próxima semana.

 

Os morcegos voltam para a caverna.

 

© Jaime Portela, Setembro de 2026


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