Ensombrados
pelos archotes
no
útero de uma chuva de insensibilidade
(imensa,
seja grossa ou miudinha)
prenhe
de guelras falaciosas e fados,
somos
carcereiros do paiol
e
praças-fortes de éticas que esvoaçam
e em
mil sóis apenas nos deslumbram.
Guardiães
das ameias vazias,
empunhando
bisturis estranhos ao tempo
onde
nos sitiamos,
somos
donos e videntes,
somos
enfermeiros das nossas fronteiras,
alamedas
de encantos
laureadas
por suspiros de valores penhorados.
Apesar
da madraça labuta,
temos
o cinzeiro da noite,
onde,
zelosos, nos lavamos do lodo
e da
greve de cinza do dia,
onde
afugentamos o cigarro
da vergonha esquecida entre os dedos
e
onde o nosso feito desfeito é defecado.
© Jaime Portela, Fevereiro de 2019