Escuta
o canto pungente das mãos
que
te procuram
e
que da espera se contorcem na tristeza.
Não há
pranto, não há nuvens
para
que o amor fique num canto
amordaçado
e ferido, porque
a
cada minuto sem ti
há
um mar de incertezas
que
no meu pensar se afundam
com uma
pedra ao pescoço do desencanto.
Sem
ti, sem o teu fogo,
sou
um coveiro de sonhos
a
remexer nas cinzas
do
que não foi queimado na fogueira
do
teu não.
© Jaime Portela, Junho de 2019