Quando
o Sol estende lá fora
o
seu véu incendiado,
cuspimos
nas mãos para cavar no deserto
e
sentirmos o que acontece
na
sombra de nós.
Quando
a neve cai muda
na
língua da fuga ao discurso
da
inutilidade das palavras,
enterramos
o peso das feridas na areia
para
ficarmos mais leves.
Só
assim
conseguimos
abordar de novo as pontes
sem
pensarmos nas origens da razão
ou
no luar que nos brinda
com
a energia do cosmos.
© Jaime Portela, Julho de 2021