No palácio
não há assento para todos os deuses políticos
que se rejeitam uns aos outros,
que procuram o poder
com ideais que vão caindo no estrume
se ainda não o são.
Sem limites,
cada um promete tudo a todos
e a coerência e a impossibilidade
são assobios e pios inaudíveis
que passam ao lado das caras de pau
que fazem simulando uma visão que não têm.
E nós desfrutamos da festa
na comunhão das promessas de um dos deuses.
Ou viramos as costas a todos
à espera que D. Sebastião
chegue numa manhã de nevoeiro
ou porque preferimos lavar as mãos como
Pilatos.
© Jaime Portela, Junho de 2025