Afirmar pode ser insensatez,
acreditar pode ser obsessão
e ser feliz pode ser exibição.
Sê distante,
venera o ocaso e a alvorada,
enverga a tua existência
com a luz de ouro de um rei
entronado num castelo de girassóis
com a alegria das virgens nas ameias.
Atira a ansiedade
para o brejo dos esquecidos
e deixa o teu quebranto
como o rio que corre persistente
porque há a vida que se vai esgotando,
há o fogo que se vai abatendo no olhar,
há as palavras já gastas antes de as usarmos
e, cada vez mais repetida,
há a dor infértil
que nos abraça e comprime sem afeto.
© Jaime Portela, Fevereiro de 2026
7 comentários:
“Un fiume di emozioni che scorre tra luce e dolore, tra ossessione e felicità, lasciandoci sospesi tra il tramonto e l’alba.”
Buona settimana
Tua poesia linda e cheia de conselhos em versos!
abraços, linda semana, chica
Tudo se reduz a isso... a viver a olhar em frente...porque se esgota num minuto..
Beijos e abraços
Marta
Gostei.
Boa semana
Bom dia Poeta Jaime. Parabéns pelo seu maravilhoso poema. Obrigado pela visita e comentário. Uma excelente segunda-feira, em Portugal, para você e todos os seus familiares. Grande abraço do seu amigo brasileiro.
Tradução: “Um rio de emoções que flui entre a luz e a dor, entre a obsessão e a felicidade, deixando-nos suspensos entre o pôr do sol e o amanhecer.”
Tenha uma boa semana.
O poema sugere cautela: não acreditar cegamente, não buscar felicidade como espetáculo; valoriza a serenidade, a escuridão do ocaso e a alvorada, a autenticidade serena. Propõe deixar a ansiedade, aceitar o declínio, manter a persistência de viver, reconhecer o desgaste das palavras e a dor que se repete sem conforto, mostrando uma visão sombria mas contida sobre a existência.
Abraço e uma semana feliz.
Enviar um comentário