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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A vida que se vai esgotando [656]



Afirmar pode ser insensatez,

acreditar pode ser obsessão

e ser feliz pode ser exibição.

Sê distante,

venera o ocaso e a alvorada,

enverga a tua existência

com a luz de ouro de um rei

entronado num castelo de girassóis

com a alegria das virgens nas ameias.

Atira a ansiedade

para o brejo dos esquecidos

e deixa o teu quebranto

como o rio que corre persistente

porque há a vida que se vai esgotando,

há o fogo que se vai abatendo no olhar,

há as palavras já gastas antes de as usarmos

e, cada vez mais repetida,

há a dor infértil

que nos abraça e comprime sem afeto.

 

 

© Jaime Portela, Fevereiro de 2026


7 comentários:

silvia de angelis disse...

“Un fiume di emozioni che scorre tra luce e dolore, tra ossessione e felicità, lasciandoci sospesi tra il tramonto e l’alba.”
Buona settimana

chica disse...

Tua poesia linda e cheia de conselhos em versos!
abraços, linda semana, chica

Marta Vinhais disse...

Tudo se reduz a isso... a viver a olhar em frente...porque se esgota num minuto..
Beijos e abraços
Marta

Cláudia disse...

Gostei.

Boa semana

Luiz Gomes disse...

Bom dia Poeta Jaime. Parabéns pelo seu maravilhoso poema. Obrigado pela visita e comentário. Uma excelente segunda-feira, em Portugal, para você e todos os seus familiares. Grande abraço do seu amigo brasileiro.

Jaime Portela disse...

Tradução: “Um rio de emoções que flui entre a luz e a dor, entre a obsessão e a felicidade, deixando-nos suspensos entre o pôr do sol e o amanhecer.”
Tenha uma boa semana.

ematejoca disse...

O poema sugere cautela: não acreditar cegamente, não buscar felicidade como espetáculo; valoriza a serenidade, a escuridão do ocaso e a alvorada, a autenticidade serena. Propõe deixar a ansiedade, aceitar o declínio, manter a persistência de viver, reconhecer o desgaste das palavras e a dor que se repete sem conforto, mostrando uma visão sombria mas contida sobre a existência.
Abraço e uma semana feliz.